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Educação

A Educação e os Valores no Século XXI: Educação para a Vida - Uma Abordagem Holística

Capítulo 7 - Educação para a Vida

No primeiro capítulo deste trabalho dissemos que "Educação é uma aprendizagem que leva à integração social ou ao ajustamento social" (Maia, 1998, p. 7), mas, daí decorre uma pergunta:

Como educar as crianças de modo que se tornem adultos integrados e ajustados à sociedade?

Acreditamos que o único modo de conseguir isto é educando a criança de um ponto de vista holístico no qual são bem-vindas tanto as contribuições das ciências como, também, as das artes, da filosofia, da religião e dos esportes.

As ciências desenvolvem o nosso senso crítico, a nossa capacidade de análise, de síntese e de dedução. A biologia nos mostra a beleza e a complexidade da vida. A física nos mostra que, na natureza, tudo é disciplinado por leis que nem sempre compreendemos, mas, que nem por isto deixam de existir. A matemática tenta quantificar o mundo que nos cerca a fim de que possamos ter uma noção melhor do muito e do pouco; e está presente, muitas vezes, de modo anônimo por trás de várias das grandes invenções que nos cercam. A química vive constantemente no silêncio dos seus laboratórios pesquisando novas substâncias que vão melhorar a vida de milhares de pessoas. A história nos mostra os erros e os acertos daqueles que nos precederam pedindo para que evitemos os erros de outrora e busquemos os grandes exemplos daqueles que a gratidão dos povos não esquecerá. A psicologia vive pesquisando os intrincados mecanismos da mente a fim de que o homem possa relacionar-se melhor consigo mesmo e com os outros, além, de colaborar na difícil questão do "Quem sou?". A ecologia nos mostra que a Terra é mais do que um simples planeta. É a morada de bilhões de seres humanos que ainda estão aprendendo a difícil lição de viver sem destruir o lugar em que vivem. A difícil lição de viver respeitando o direito à vida que os outros seres vivos também têm.

As artes desenvolvem o nosso senso estético e naqueles que as cultivam com dedicação desenvolvem, também, o amor à natureza, à justiça social, à paz e a tudo o que dignifica o ser humano. Na escultura, o artista aprende a ver dentro da pedra bruta a beleza da forma que irá surgir e demonstra na prática o domínio da vontade sobre a matéria tal como um Aleijadinho. Na pintura, tenta retratar na tela as imagens que vê com seus próprios olhos ou que vê apenas em sua tela mental (Monet, Renoir, Van Gogh). Na poesia, atinge o domínio máximo da linguagem escrita realçando o que já é o belo ou alertando para algo feio que impede o mundo de ser mais belo tal como Castro Alves em sua poesia "Navio Negreiro". Na música, consegue levar aqueles que o ouvem a lugares sequer imaginados tal como um Mozart. No teatro, consegue criticar a realidade de um modo às vezes trágico e em outras vezes, bem humorado. Consegue, também, mostrar as diversas máscaras sociais que utilizamos no dia-a-dia tornando-se, deste modo, uma incrível fonte de aprendizado emocional para aqueles que dele participam seja atuando, seja assistindo.

A filosofia desenvolve naqueles que a cultivam, o amor ao saber, o amor ao pensar e ao refletir. Aqueles que a estudam com seriedade e destituídos de preconceitos não se deixarão enganar facilmente, pois, aprendem a pensar livremente. Conhecerão a vida e a obra de Sócrates, Platão, Buda, Cristo, Maquiavel, Rousseau, Tolstoi, Freud e outros expoentes do pensamento. Ficarão muitas vezes admirado da coragem que muitos tiveram de dar a própria vida por um ideal.

A religião quando bem estudada nos ajuda a refletir sobre questões fundamentais da existência humana que a filosofia ainda não conseguiu resolver satisfatoriamente, tais como: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Além disto, nos ajuda, também, a cultivar e desenvolver os valores éticos, pois, por trás das principais religiões do mundo existe de alguma forma uma mesma regra básica e que permanece em muitas delas há milênios: "Fazei aos outros o que desejais que os outros vos façam" (Bowker, 1997, p. 189-189). Tal regra, chamada de "A Regra de Ouro", é tão simples quanto eficaz, pois, possui força suficiente para incentivar aqueles que a seguem a viver de um modo mais compreensivo e fraterno e a respeitar o direito que o outro tem, tanto quanto ele, de ser feliz.

Uma outra vantagem de se estudar as religiões é o de aprender a ser tolerante, compreensivo e eclético. Sem abdicar de suas próprias crenças, as pessoas ao estudarem os aspectos principais pertencentes às maiores religiões podem aprender, de modo bastante benéfico para si próprias, que existem vários modos diferentes de se observar algo e que não temos o direito de impor nossas convicções, pois, a melhor religião para um não será, necessariamente, a melhor religião para o outro. De modo semelhante aos antigos que diziam "diversos caminhos levam a Roma" os religiosos de hoje poderiam dizer "diversos caminhos conduzem ao bem". E mesmo falando de religiões para os alunos devemos respeitar a opinião daqueles que não sintam atração por nenhuma delas.

Um outro aspecto que necessita ser considerado na formação do educando é a prática de esportes, pois, através deles a criança e o jovem extravasam todo o excesso de energia de que são dotados fortalecendo e embelezando o seu corpo físico e, também, aprendendo a valorizá-lo.

Adaptando o que disse Rosseau:

"Em lugar de o resguardar no ar confinado de um quarto, que o levem diariamente para os prados. Que corra, que se debata, que caia cem vezes por dia, tanto melhor. Mais cedo aprenderá a se levantar" (Rolland, 1965, p. 204)

diríamos: "Em lugar de aprisionar a criança num condomínio fechado, ou deixá-la diante da 'babá eletrônica' chamada televisão, que o levem diariamente aos campos, às quadras e às piscinas. Que corra, que nade, que se debata, que caia cem vezes por dia, tanto melhor. Mais cedo aprenderá a se levantar". Além disto, não podemos esquecer que, hoje, um dos maiores recursos para afastar o jovem do caminho das drogas é a prática de esportes, pois, praticando esportes o jovem procura obter sua melhor performance física tanto através de exercícios que melhoram seu tônus muscular como, também, através de uma alimentação saudável que lhe oferece mais energia e vitalidade e acaba por afastá-lo, naturalmente, do caminho do cigarro e da bebida e, também, por conseqüência das drogas mais pesadas.

Uma educação assim seria algo semelhante ao ideal grego do amor ao bem, ao belo e ao verdadeiro. O bem representado pela ética e pelo conhecimento básico das diferentes religiões. O belo representado pelas artes e pelos esportes e o verdadeiro representado pela ciência e pela filosofia.

Sabemos que muitas escolas já têm procurado desenvolver algo neste caminho, porém, em sua maioria as experiências ligadas às artes limitam-se às séries primárias e as práticas esportivas embora sejam oferecidas durante toda a vida escolar são limitadas a poucas horas semanais e, raramente, vão além do futebol, vôlei e basquete. A filosofia quando aparece, também, ocupa apenas algumas horas semanais e, geralmente, fica restrita a algumas séries do 2º grau.

O resultado do descaso dado à prática de esportes aqui no Brasil pôde ser visto nas Olimpíadas de 2000, realizadas na cidade de Sidney, na Austrália, em que o povo brasileiro ficava aguardando, em vão, medalhas dos esportes consagrados pela mídia, com seus atletas altamente remunerados por seus patrocinadores, enquanto as medalhas de ouro eram trazidas pelos atletas para-olímpicos, tão desconhecidos do povo quanto grandes em autoconfiança, disciplina, vontade e perseverança.

Se dermos atenção a todos os esportes e oferecermos às nossas crianças a possibilidade de conhecê-los e praticá-los com freqüência teremos, à médio prazo, muito mais medalhas de ouro nas Olimpíadas e, a longo prazo, menos casos de incidência de problemas cardiovasculares e respiratórios, menos casos de tabagismo e alcoolismo e, por conseqüência, menos casos de internações, brigas e homicídios, ou seja, uma maior expectativa de vida com muito mais qualidade de vida.

Se dermos mais atenção à filosofia ajudando cada uma de nossas crianças a pensar com sua própria cabeça e a caminhar com seus próprios pés e mirando-se nos exemplos daqueles que fizeram de suas vidas um testemunho de seus ideais, teremos seres humanos mais críticos e criativos que não aceitarão a tarefa de, simplesmente, reproduzir conhecimento, mas, que irão querer pesquisar, descobrir e gerar novos conhecimentos melhorando a sociedade em que vivem.

Se dermos às religiões a atenção que merecem, valorizando seus códigos de conduta ética, respeitando suas diferenças e sem pretendermos, sob nenhuma hipótese, converter o outro à esta ou àquela religião, teremos seres humanos mais éticos, bondosos e ecléticos e estaremos colaborando, também, para uma sociedade livre de preconceitos religiosos, raciais e sociais em que todos se sentirão igualmente importantes e aceitos.

Perguntarão alguns:

"Mas quem fará tudo isto?"

Como o processo educacional pode ser subdividido em formal e informal e dada a extensão da crise social que vivemos, acreditamos que tudo isto só será conseguido através da mobilização consciente de toda a sociedade. É necessário que pais, alunos, professores, escritores, radialistas, apresentadores de televisão, enfim todas as pessoas sejam conscientizadas do problema e convocadas a colaborar na solução não pagando mais impostos e, sim, oferecendo um pouco das suas idéias, do seu tempo e da sua energia para a solução.

Há muitos anos que o povo aperta o cinto sob o pretexto de que fazendo isto colabora para o futuro da nação. Durante muito tempo a sociedade transferiu aos políticos a responsabilidade que lhe cabia. É hora de assumir esta responsabilidade e tomar as rédeas da situação. Pois, um futuro melhor para nação não virá de uma classe política esclerosada que insiste em usar jargões obsoletos e desacreditados pelo tempo e pela experiência. Se quisermos um futuro melhor para nossos filhos e nossos netos, precisamos começar a plantar hoje, o dia de amanhã. Nossa independência econômica não virá daqueles que nos escravizaram criando dívidas econômicas e sociais que não temos como pagar. Ela virá de um povo esclarecido, consciente do seu valor, consciente dos seus direitos e do seu papel na grande escola que é o Planeta Terra.

Se quisermos, verdadeiramente, vencer a crise social que assola o país teremos que fazer a nossa parte, teremos que mobilizar nossas melhores energias físicas, mentais e emocionais nesta tarefa. Cada um oferecendo o melhor de si em prol de todos.

Torna-se cada vez maior a necessidade de uma Educação que considere o ser humano sob um ótica global em que predominem os valores éticos. Uma educação que mais do que prepará-los para a competição do mercado prepara-os para as dificuldades da vida, as quais só são resolvidas a partir de um bom desenvolvimento das habilidades sociais e dos valores éticos. Uma educação que aceita a colaboração de todas as áreas que buscam a melhoria do ser humano ou das condições de vida do mesmo. Uma educação que mais do que preparar bons profissionais descartáveis, procura criar bons pais, boas mães, bons colegas de trabalho, bons políticos, bons seres humanos. Seres humanos que querem acima de tudo ser felizes e que todos possam ser, também, junto com eles.

Façamos a nossa parte, para que o futuro seja melhor e para que todos nós sejamos felizes!

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