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Educação

A Educação e os Valores no Século XXI: Educação para a Vida - Uma Abordagem Holística

Capítulo 6 - Educação e Globalização

No primeiro capítulo desta monografia dissemos que "Educação é uma aprendizagem que leva à integração social ou ao ajustamento social" (Maia, 1998, p. 7) e como um dos aspectos mais fortes da vida em sociedade diz respeito ao trabalho, vamos estudar um assunto que vem se tornando cada vez mais presente no cotidiano do trabalhador: a Globalização.

Em grande parte dos países, predomina o sistema econômico Capitalista o qual caracteriza-se pela produção de bens e/ou serviços destinados a satisfação de necessidades do mercado. Tanto para produzir seus bens quanto para produzir seus serviços as empresas necessitam de mão-de-obra, ou seja, pessoas dispostas a prestar serviços às mesmas em troca de uma remuneração. Sendo que para produzir seus bens, além da mão-de-obra, as empresas necessitam também de matéria-prima para seus produtos.

Acontece que algumas empresas movidas pelo desejo de expandir seus negócios passaram a vender seus produtos para algum outro país. Depois, notaram que a atuação em algum outro país lhes trazia conhecimentos operacionais que poderiam ser utilizados em vários outros países. Algumas empresas, também, notaram que o mercado externo poderia ser uma boa alternativa para aquisição de matéria-prima e passaram a considerá-lo em suas cotações. Algumas indústrias que utilizavam mão-de-obra intensiva em suas linhas de produção viram que haviam outros países com uma vasta oferta de mão-de-obra barata (ainda que desqualificada), que poderiam servir para instalação de suas fábricas. Outras, principalmente, aquelas altamente poluentes perceberam que alguns destes países não se preocupavam muito com o seu meio-ambiente, pois, suas leis ambientais eram amenas e as multas eram leves. Nestes países, por exemplo, grandes e constantes vazamentos de petróleo eram encarados como uma coisa normal, fáceis de ser controlados. Resíduos industriais tóxicos podiam ser lançados diretamente em rios sem qualquer tratamento. Gases tóxicos poderiam ser emitidos de suas chaminés sem a necessidade de instalar filtros caros.

Assim, pouco a pouco, várias empresas passaram a atuar no mercado externo, seja oferecendo seus produtos e/ou serviços, seja adquirindo matéria-prima para suas fábricas ou até mesmo instalando suas fábricas em outros países. Algumas empresas já consideradas Multinacionais cresceram tanto que passaram a considerar o Globo como seu espaço geográfico. Espalharam fábricas e escritórios pelo mundo inteiro. Passaram a contratar apenas funcionários poliglotas para seus cargos administrativos e das mais diferentes nacionalidades e, dependendo do cargo, chegaram ao ponto de exigir MBA (Master Business Administration).

A competitividade existente no processo de Globalização possibilitou uma acentuada melhoria na qualidade dos produtos e serviços oferecidos, entretanto, trouxe para os trabalhadores, sobretudo, daqueles pertencentes ao chamado Terceiro Mundo novas preocupações: algumas multinacionais cresceram tanto que passaram a monopolizar o mercado em suas áreas de atuação eliminando facilmente qualquer outra empresa que queira aventurar-se em seu terreno.

Muitas empresas, levando em conta a grande disponibilidade de mão-de-obra existente no mercado acabaram exigindo de seus candidatos uma escolaridade muito maior do que a necessária para o exercício das funções que exercerá na empresa. Muitas vezes pedem, por exemplo, fluência da língua inglesa para um cargo em que a pessoa raramente irá falar com um estrangeiro ou domínio de informática para um cargo em que no máximo irá digitar alguns dados.

Com a Globalização, a mão-de-obra passou a ser vista como algo descartável, facilmente, substituível e que para demorar mais a ser substituída deve atualizar-se permanentemente. Exige-se deste profissional um alto nível de educação, porém, de educação profissional e não a educação que cria seres pensantes capazes de questionar e propor soluções.

Vejamos o que nos diz um estudioso do assunto:

"Não há como fugir de que, para ser competitivo, é mister saber pensar, usar o conhecimento com criatividade extrema, inovar de modo permanente e sistemático, e que isso depende, em grande medida, da educação. Assim, para se chegar a um emprego pelo menos razoável, é fundamental educar-se obstinada e permanentemente Entretanto, como a economia competitiva e globalizada não se volta para a criação de emprego, mas para a produtividade, a própria educação é enredada nesse processo, produzindo duplo efeito seletivo: somente os mais bem educados terão melhor chance ou alguma chance; cada vez mais, os mais bem educados serão menos bem pagos." (Demo, 1999, p. 18)

Assim, vemos que o mercado de trabalho pede profissionais que saibam pensar, sejam criativos e inovadores. Entretanto, este mesmo mercado de trabalho obriga a maioria dos seus profissionais a executar funções altamente repetitivas e a acatar ordens de modo completamente submisso conforme o preceito do "manda quem pode e obedece quem tem juízo". Exige profissionais com alto índice de instrução, mas, provavelmente para estragá-los submetendo-os à jornadas de trabalho de 8 horas diárias em que quase não criará nada de novo. Ao mesmo tempo a mídia, através de seus jornais e revistas especializadas, azucrinará os ouvidos deste funcionário alegando que ele precisa se atualizar para não ficar fora do mercado. Entretanto, para se atualizar, ele precisará gastar boa parte dos seus rendimentos e ainda por cima ter altas doses de paciência para aturar, após um jornada de 8 horas de trabalho entediante, um pseudo guru administrativo cheio de diplomas universitários e de outros títulos de validade questionável, dizendo que é isto e aquilo e, no final, repetindo os mesmos chavões que ele já cansou de ler e reler nos jornais e revistas. Provavelmente, ele ouvirá no meio de alguma dessas aulas, este pseudo-guru deturpando uma frase de Lavoisier dizer que "nada se cria tudo se copia" como se quisesse justificar sua falta de originalidade.

Isto é o que a mídia e os "gurus" administrativos chamam de Globalização.

Contudo, o que seria a Globalização?

- Globalização é muito mais do que considerar o planeta Terra como um grande mercado em que predomina a "lei do mais forte" e a do "salve-se quem puder". A palavra Globalização possui um sentido muito mais amplo, pois, quer dizer Ação Global.

Mas, ação global para quê?

- Uma ação global para salvar o planeta, pois, dele depende a própria sobrevivência da espécia humana. Durante milênios o homem extraiu a sua sobrevivência dos recursos naturais oferecidos pelo planeta sem se preocupar em preservá-lo para as gerações posteriores. E, agora, a "Mãe Terra" grita para todos aqueles que quiserem ouvir: "Basta de desperdício. Não é justo derrubar as florestas, pois, o oxigênio que elas fornecem pertence a todo o planeta. Não é justo poluir os rios e os mares quando tantos povos possuem escassez de água. Não é justo deixar suas fábricas poluírem o ar que você respira, pois, ele não pertence a essas fábricas e sim a toda a humanidade. Não é justo desperdiçarmos tanto papel impresso enquanto outros sequer sabem ler. Não é justo permitir que um país se endivide tanto a ponto de escravizar o seu povo em subcondições de vida devido aos juros exorbitantes de uma dívida que não terá como ser paga. Não é justo bombardear o país do teu vizinho alegando que ele é menos civilizado do que você, porque ele tem tanto quanto você o direito à vida."

Mas, por quê é necessária uma ação global?

- Porque estes problemas atingiram tamanha magnitude que somente serão solucionados se cada ser humano assumir com responsabilidade o compromisso social que lhe compete na solução dos mesmos. Durante muito tempo, estes problemas foram entregues aos ecologistas, aos biólogos, aos políticos, aos economistas, ou seja, sempre a responsabilidade era transferida para terceiros, porém, hoje vemos que somente através de uma conscientização global é que conseguiremos resolvê-los.

Os principais problemas sociais que afligem a Humanidade serão, facilmente, resolvidos quando o ser humano compreender que as diferenças entre os povos são apenas aparentes, pois, em essência o que todos buscam é a Felicidade. E, quando esta felicidade for buscada, respeitando o direito do outro de ser feliz então acabarão as diferenças ilusórias entre Países Desenvolvidos e Sub-Desenvolvidos, pois, não se pode julgar desenvolvido o país que utiliza o seu avanço tecnológico para subjugar o outro, destruindo suas fontes de energia, suas escolas, seus hospitais e sua população e gastando para isto o dinheiro dos impostos arrecadados com o suor do povo e que deveria ter sido utilizado em benefício deste mesmo povo.

É preciso que nos conscientizemos que o Terremoto que atinge um povo do outro lado do Planeta matando milhares de pessoas não é um problema daquele povo, mas, um problema de toda a Humanidade. Fala-se tanto em Globalização, que, hoje, não basta aprender o Português e o Inglês, que têm que se aprender, também, o Espanhol. Ora, não precisamos saber Português, Inglês e Espanhol para notar que a criança que observa sua mãe sob a laje desabada de sua casa após um Terremoto precisa de ajuda. O que precisamos aprender é a ter a coragem de nos solidarizarmos com a dor dela. É ter a coragem de oferecer ajuda.

É preciso que nos conscientizemos que em pleno 3º Milênio já não é Solidariedade enviar alimentos, roupas e medicamentos para os que passam fome em países como a Etiópia. É uma obrigação! É um dever humano e ainda é pouco, pois, o que eles necessitam mesmo é de aprender a tirar da terra os meios de sobrevivência: água e alimentos. Mas, se eles não sabem como fazer isto é dever de quem sabe ensiná-los.

É preciso que todos os povos, de todas as raças em qualquer lugar que vivam, tenham pelo menos roupa, moradia, alimento e água potável. É inaceitável, por exemplo, que num país farto de recursos naturais como o nosso ainda tenhamos tantos "Sem-Terra", "Sem-Teto", "Sem-Trabalho", "Sem-Roupa", "Sem-Comida" e "Sem-Escola". Ora, a reversão deste estado caótico só será possível quando nosso Sistema Educacional mudar, conscientemente, a ênfase exagerada no Intelecto pela ênfase na Ética e nas Virtudes. Quando isto ocorrer as soluções serão mais fáceis, pois, cada ser humano pensará primeiro no coletivo para, depois, pensar em si.

Sem dúvida nenhuma precisamos da Globalização, mas, não apenas no sentido econômico que é o apresentado pelos países que se dizem desenvolvidos e sim numa globalização dos esforços para solução dos principais problemas que afligem a Humanidade, precisamos duma globalização dos bons sentimentos e nobres ideiais de um Sócrates, de um Platão, de um Mahatma Gandi, de um Pestalozzi, de um Albert Scheiwzer, de uma Irmã Dulce e de uma Madre Teresa de Calcutá.

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