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Educação

A Educação e os Valores no Século XXI: Educação para a Vida - Uma Abordagem Holística

Capítulo 5 - Responsabilidade Social dos Meios de Comunicação

Mais uma vez, vejamos o que nos diz Tenzin Gyatso, prêmio Nobel da Paz:

"Todos os personagens políticos sabem que hoje não são mais os únicos com autoridade na sociedade. Além da influência dos jornais e livros, o rádio, o cinema e a televisão juntos exercem sobre as pessoas uma influência que seria inimaginável há cem anos. Este enorme poder confere grande responsabilidade a todos os que trabalham no setor. Mas também confere grande responsabilidade a cada um de nós que, como indivíduos, escutamos, lemos, e assistimos. Nós também temos um papel a desempenhar. Não somos impotentes diante da mídia. Afinal de contas, os botões de controle ficam em nossas mãos." (Gyatso, 2000, p. 201)

Dentre os meios de comunicação de massa, o que mais se destaca, sem dúvida alguma, é a Televisão. Através deste invento fabuloso podemos acompanhar diversos acontecimentos que ocorrem no Mundo. Podemos assistir: uma entrevista com alguém famoso; um jogo de futebol; uma novela; aulas de culinária, ginástica, história, geografia etc.

Contudo, indiferentes ao fato de que lidam com um meio educacional e que "educação é uma aprendizagem que leva à integração social" (Maia, 1998, p. 7) e tudo isto associado à queda da censura, os responsáveis pela programação televisiva optaram por inundar nossas telas de desgraças, violência e sexo explícito alegando que com isto estavam apenas exibindo a "realidade nua e crua". Os resultados foram uma insensibilização diante da dor da desgraça dos outros, a aceitação da violência como uma coisa comum e a erotização precoce da nossa juventude. Tornamo-nos indiferentes à fome, à miséria e às guerras que atormentam outros povos. Passamos a encarar a prostituição como uma opção normal da mãe que precisa ganhar um dinheirinho para sustentar o filho e a ver tantas mulheres exibindo os seios, as nádegas ou em cenas de apelo erótico que a nossa atenção desperta é quando vemos uma mulher, totalmente, vestida fazendo algo comum do dia-a-dia. A cultura indígena vira pretexto para exibição de seios siliconados de loiras oxigenadas. Apresentadoras de programas infantis procuram atrair a atenção dos nossos filhos exibindo belos seios saltitantes e das nossas filhas exibindo rapazes musculosos semidespidos. E isto sem falar dos filmes tipo derruba, chuta, soca, mata, explode tudo e metralha todos que são considerados como atração principal do horário nobre; e das freqüentes reportagens sobre fugas em presídios, traficantes, baderneiros, psicopatas e outros desajustados sociais que consomem boa parte dos caros minutos televisivos quando não são transformados em heróis ou em exemplos de vida.

Sem dúvida alguma, a Televisão por sua facilidade de alcançar as massas e, por seu descaso, na qualidade ética do que oferece à Sociedade tem a sua parcela de culpa em vários problemas sociais, tais como: prostituição, drogas, assaltos e homicídios. Pois, as imagens mentais geradas pela televisão ficam gravadas no subconsciente das pessoas e influenciam nos seus atos e comportamentos do dia-a-dia. Como exemplo, da capacidade de gerar comportamentos que a televisão tem, podemos citar os modismos gerados pela televisão tais como: bambolês, pulseirinhas hippies, patinetes etc.

Os responsáveis pelos meios de comunicação sabem disto. Tanto sabem que as propagandas de cigarro (um produto nocivo à saúde) eram sempre associadas à pessoas bonitas, saudáveis e que praticam esportes incomuns e, geralmente, individuais, tais como: surf, asa delta, corridas automobilísticas etc. As principais marcas de cerveja também conhecem o poder quase hipnótico gerado pela televisão e se aproveitam disto utilizando em seus comerciais as imagens dos principais ídolos musicais e esportivos, pois, querem que seus telespectadores pensem do seguinte modo: "se o cantor 'Zuquirana' que é tão famoso e simpático disse que este produto é bom, é porque deve ser mesmo. Ele não iria mentir" e "se o atacante Pafúncio que cuida tanto da saúde, bebe esta cerveja e está tão saudável e tão alegre, é porque cerveja deve deixar alegre e, quiçá, até fazer bem à saúde". Assim sendo, ficam exibindo repetidamente tais imagens tentando afrouxar as defesas mentais do telespectador baseando-se no ditado popular de que "Água mole em pedra dura tanto bate até que fura".

Tal poder, também, é conhecido por todos tanto que há alguns anos um determinado fabricante de refrigerante utilizou uma propaganda que consistia em exibir, piscando, rapidamente durante a exibição de filmes, uma frase em modo imperativo do tipo "Beba isto" e tal propaganda foi proibida de ser veiculada.

Quanto aos fabricantes de cigarro, primeiro foram obrigado a exibir no final de cada propaganda uma mensagem do tipo "O Ministério da Saúde adverte: fumar causa câncer de pulmão" e, depois, simplesmente, foram proibidos de fazer propaganda na televisão.

O poder quase hipnótico da televisão advém em grande parte do fato de esquecermos das coisas apenas conscientemente, pois, o nosso subconsciente guarda todas as nossas experiências sensoriais. Tudo o que vemos e ouvimos fica gravado lá no nosso subconsciente. Assim quando ouvimos uma frase do tipo "Beba isto", podemos esquecê-la apenas aparentemente, pois, quando ela sair do nosso consciente mental, continuará existindo em nosso subconsciente e retornará ao consciente quando visualizarmos a mesma imagem que havia sido projetada em nossa mente durante a propaganda. Tal lembrança poderá causar o desejo de beber o produto anunciado.

Sabemos, também, que nas experiências de hipnose é necessário que a pessoa a ser hipnotizada relaxe enquanto recebe as ordens mentais. De modo semelhante é comum as pessoas assistirem televisão no horário da noite enquanto procuram relaxar e esquecer qualquer preocupação mental, ou seja, relaxam suas defesas mentais. Não estão dispostas a questionar o que vêem ou ouvem. Querem apenas assistir e descansar e tornam-se sem perceber depósitos involuntários das ordens mentais emitidas pela televisão. Assim quando menos esperamos diversas imagens indesejáveis invadem nossas mentes e fixam residência na mesma.

Por isto, dissemos que a televisão tem a sua parcela de culpa em vários problemas sociais. Porque ela sabe de tudo isto e insiste em fingir que não sabe de nada, em fingir que não possui qualquer influência na sociedade.

As emissoras de rádio também possuem sua cota de responsabilidade, pois, quando assistimos televisão podemos mudar de canal, fechar os olhos ou, simplesmente, desligar a televisão. Quando ouvimos rádio podemos fazer o mesmo somente se ele se encontra em nossa casa. Se ele se encontra na casa do vizinho ou no carro que passa não temos o mesmo poder e somos obrigados, muitas vezes, a ouvir todas as asneiras de uma "música" Funk que são repetidas dezenas de vezes numa letra sem qualquer estória, poesia ou criatividade fazendo uma verdadeira lavagem cerebral naqueles que a ouvem. De tanto ouvirem a mesma coisa, quando as pessoas menos esperam o refrão está tocando dentro da cabeça delas, mesmo que elas não queiram e elas acabam cantando sem saber porque. É assim que o Funk faz sucesso. E as pessoas acabam cantando coisas do tipo "Sua cachorra!", "Popuzada!" e outras tolices. É como se fossem os frutos de um sistema educacional falido se vingando de uma sociedade de consumo pela educação que lhes foi negada.

Contudo, vale lembrar que os meios de comunicação são excelentes meios de educação à distância quando utilizados de modo consciente e responsável. Permitem entre outras coisas atingir regiões geográficas de difícil acesso. Como exemplo de programa educativo de largo alcance, podemos citar o Telecurso 1º e 2º graus. Quando utilizada de modo responsável pode mostrar as imagens geradas pela indiferença dos que se acham poderosos porque detém um diploma, um cargo político, algumas terras ou uma conta bancária polpuda. Procurando criar naqueles que as vêem o horror à prepotência, aos preconceitos, aos dogmas e a tudo o que oprime o ser humano e o impede de ser feliz.

O mesmo é válido para o rádio o qual pode ensinar traduções de letras de música, dar noções de cidadania e despertar naqueles que ouvem suas músicas o amor ao bem, ao belo e ao verdadeiro.

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