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Educação

A Educação e os Valores no Século XXI: Educação para a Vida - Uma Abordagem Holística

Capítulo 4 - Educação também se faz fora da Escola

Mas, será que a crise no sistema educacional se deve unicamente à escola e seus professores?

Certamente, que não! Seríamos injustos com ambos se afirmássemos o contrário. E para justificarmos nossa resposta devemos considerar que o processo educacional não se dá apenas na escola. "A educação se processa dentro e fora da escola. Fora da escola ela é assistemática. Dentro da escola é sistemática" (Maia, 1998, p. 34), ou seja, existem, também, os chamados meios informais.

"A educação não-formal é aquela constante, perene, que se inicia com o nascimento (ou, até mesmo, antes dele) e só termina com a morte, interrompida, acidentalmente só e unicamente, por algum evento patológico desagregador da personalidade. E, antes de mais nada, precisamos que não-formal não significa, sempre, indefinida em seus contornos, nem obrigatoriamente inintencional. O que a nomenclatura técnica denota, hoje, como educação não-formal é aquela que não se faz, definidamente, na Escola, ou seja, que não tem currículos, programas, professores, etapas explicitadas. Não deixará, portanto, de ser muitas vezes, institucionalizada pois, para ela contribuem a Família, a Igreja, o Estado e outras agências sociais, além do meio cultural." (Maia, 2000 b, p. 73).

Assim, podemos dizer que o processo educacional não se encontra limitado aos anos que passamos na escola. Ele é muito mais amplo, abrange toda a vida e não ocorre apenas nos bancos escolares, mas, também, e, principalmente, no contato com os outros seres humanos. Ele ocorre: na convivência do lar, onde desenvolvemos a compreensão, solidariedade, confiança e afeto; ocorre nas empresas, no esforço de oferecer serviços e/ou produtos cada vez melhores; no jogo de futebol que desenvolve o espírito de equipe e colaboração; na fila do banco que esgota nossas forças e desafia nossa paciência; quando estamos sentados no sofá assistindo televisão e descobrimos algo mais sobre a vida; quando visitamos um orfanato e pensamos que há tantos pais no mundo querendo filhos e tantos filhos sem pais; quando visitamos um asilo e imaginamos que um dia talvez sejamos nós os seus hóspedes; quando vemos as esculturas de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho e percebemos que as limitações físicas de um ser humano foram largamente superadas pela sua força de vontade; quando ouvimos um Bethoven e descobrimos que uma de suas principais sinfonias foi composta a partir do som dos socos dados na porta de sua residência pelo proprietário do imóvel cobrando os aluguéis atrasados; quando vemos uma pintura de um Renoir e percebemos a ânsia de um ser por retratar a beleza de sua época; quando lemos a biografia de Helen Keller, a primeira cega e surda a completar um curso universitário (inclusive com louvor) e tomamos conhecimento da dedicação e criatividade de sua professora Anne Sullivan.

Aprendemos em todas essas situações e em muitas outras. Aprendemos sempre que nos dispomos a encarar os pequenos fatos da vida cotidiana sem preconceitos, sem medo de censura, com a curiosidade e a coragem de uma criança (cuja mente ainda não tenha sido embotada pelo nosso sistema educacional e pelos dogmas e preconceitos da sociedade).

Vale lembrar que tendo em vista a incapacidade da escola atual exercer completamente seu papel educacional existem várias outras instituições que procuram auxiliá-la neste processo complementando a formação de seus alunos. Como exemplos principais, podemos citar: as instituições religiosas; as ONGs (Organizações Não Governamentais); as escolas de artes (música, dança, pintura etc); os cursos de idiomas; os centros esportivos e os cursos profissionalizantes.

Cabe ressaltar aqui, o papel das ONGs as quais tem assumido um papel cada vez maior no resgate da cidadania e na ampliação de oportunidades de estudo e trabalho para as camadas mais pobres da população. Além disto, nos últimos anos, elas têm procurado se profissionalizar cada vez mais a fim de conseguirem os recursos necessários para sobreviverem numa sociedade cada vez mais competitiva em que os recursos são cada vez mais escassos.

Com base no que foi dito até o momento, podemos concluir que a Crise Educacional que vivemos se deve não apenas à Escola e a seus professores, como à toda Sociedade. Contudo, é fora de dúvida que por ser a Escola a principal instituição de educação formal a maior parte da responsabilidade recai sobre ela.

Cada um de nós e cada uma das instituições citadas possui a sua cota de responsabilidade no atual estado da educação e da crise de valores que estamos vivenciando. Tornamo-nos responsáveis por um problema quando ajudamos diretamente a criá-lo e, também, quando fechamos os olhos diante dos que o estão criando, pois, tornamo-nos cúmplices dos mesmos. Como exemplo de cumplicidade por omissão podemos citar os meios de comunicação. Todos nós sabemos da baixa qualidade de muitas músicas e de muitos programas televisivos. Entretanto, mantemos nossos rádios e televisores ligados ajudando a dar ibope para eles e mantendo-os muito bem patrocinados. Além disto, raramente, decidimos fazer uma ligação, passar um fax ou um e-mail para tais emissoras criticando tais programas.

Precisamos lembrar que se somos parte do problema, também, somos parte da solução. Portanto, temos que aprender a exercer de modo eficaz e pacífico a nossa cidadania com a finalidade de construir um sistema educacional melhor, reivindicando da escola tudo de bom que ela pode oferecer, exigindo das emissoras de rádio e televisão programas de melhor qualidade, comportando-nos segundo os princípios da ética, colaborando com as instituições que ajudam o pobre a ser menos pobre (no acesso à cultura) e ampliando cada vez mais nosso horizonte mental e nossas reservas de humanidade. Temos que aprender a doar as nossas melhores energias físicas, mentais e emocionais em prol dos nossos ideais. E, indubitavelmente, a melhoria das condições de vida em nossa sociedade representa um ideal bastante atraente.

Se fizermos tudo isto, quando menos esperarmos nosso sistema educacional será uma usina de talentos e de nobres ideais e nossos principais problemas sociais serão pouco-a-pouco solucionados, pois, também, seremos seres humanos melhores: mais fraternos; mais compreensivos; menos preconceituosos; menos dogmáticos.

O futuro depende de cada um de nós. Precisamos nos conscientizar disto e fazer a nossa parte. É hora do gigante adormecido acordar e sair do seu berço esplendido. Já dormiu 500 anos. Quanto mais dormir, mais demoraremos a ser verdadeiramente felizes, pois, não dá para ser totalmente feliz vendo tantas famílias morando na rua, tanta gente desempregada, tanta gente passando fome, tanta gente que mal sabe escrever o nome. Enfim, tanta gente vivendo em condições sub-humanas. É preciso que o gigante desperte!

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