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Educação

A Educação e os Valores no Século XXI: Educação para a Vida - Uma Abordagem Holística

Capítulo 3 - Os Valores no Século XXI

Segundo o Novo Dicionário Aurélio, valores são "as normas, princípios ou padrões sociais aceitos ou mantidos por indivíduo, classe, sociedade etc." (Ferreira, 1975, p. 1439).

Mas, como "as conceituações e percepções do valor são quase tantas e tão diversas quanto os filósofos que tratam do assunto" (Maia, 2000 b, p. 70) apresentaremos o pensamento de alguns estudiosos deste assunto:

"A percepção de um valor implica na de seu oposto. Não há belo sem feio, justo sem injusto, santo sem profano, enquanto que os demais seres não acarretam, necessariamente, uma bipolaridade." (p. 71).

"Os valores podem variar em sua intensidade. Para o artista, o valor estético é o mais valioso; para o religioso, o santo; e, na vida de cada um de nós, há a nossa escala ordenada de valores." (p. 71).

"Nossos pensamentos e reações são condicionados pelos valores que a sociedade, da qual somos uma parte, nos impôs." (Krishnamurti, 1989, p. 55).

"Nas viagens enfrentamos encruzilhadas. Que direção tomar? Somos obrigados a decidir em conformidade com nossos valores e com os grandes sonhos que alimentamos." (Boff, 1997, p. 113).

Com base no exposto poderíamos perguntar: que valores estamos cultivando?

Vejamos o que Leon Tolstoi responderia no século XIX:

"A ambição, o amor ao poder, ao dinheiro, o luxo, o orgulho, a cólera, a vingança, tudo isso era respeitado." (Zweig, 1965, p. 28).

É triste ter que admitir que se vivesse em nosso tempo poderia responder a mesma coisa. Para ilustrar isto, vejamos algumas frases de profissionais formados, em 2000, pela mais respeitada faculdade de administração do país, a Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. Os nomes foram abreviados já que não temos qualquer intenção de julgá-los; e, sim, coletar opiniões de estudantes que, pelo menos, na teoria estudaram no que há de melhor no atual sistema educacional (Casara, 2001).

G.S., 21 anos: "Estou otimista com o país e com o mercado de trabalho. Quero ter grana para conquistar conforto para minha família."

Esta resposta revela como principal valor: ganância disfarçada. A pessoa quer grana para si mesma. Mas, como poderia causar constrangimentos afirmar isto diretamente, então ela coloca um atenuante e diz que é para ajudar a família. A resposta é bastante sem graça, pois, prostitutas, traficantes, estelionatários, sequestradores, aviõezinhos, assaltantes e falsificadores, também, dariam a mesma resposta.

O risco que este(a) administrador(a) corre é de tomar suas decisões profissionais pensando primeiro na sua família e não na sua empresa ou na sociedade. Quantos acidentes ecológicos já não foram provocados por esta forma de pensar? Quantos prédios já não ruíram por causa desta forma de pensar? Quantas pessoas já não forma mortas por causa de grana?

Se pedíssemos um conselho a Shinyashiki para este(a) jovem, provavelmente, ele diria:

"A riqueza somente existe longe dos cofres e quando é usada como sementes para a evolução do mundo". (Shinyashiki, 1995, p. 28)

ou seja, a verdadeira riqueza não é a que guardamos nos cofres com medo de que a roubem e sim aquela que plantamos nos jardins da vida através dos nossos atos, palavras e pensamentos. Ao se despedir daria outro conselho:

"não trabalhe por dinheiro. Trabalhe pela realização completa de sua capacidade." (Shinyashiki, 1995, p. 95).

Tom Morris, um dos mais respeitados consultores empresariais da atualidade, completaria:

"O sucesso nunca deve ser confundido com riqueza ou poder. Deve, sim, ser ligado à excelência e ao sentimento de realização. O sucesso é algo que diz respeito a quem você é, e não ao que você possui." (Muoio, 1999).

P.P., 21 anos: "Eu me sentirei confortável na presidência de uma empresa."

Esta outra resposta revela como principal valor: sede de poder. Também, é uma resposta preocupante, pois, quase sempre para alcançá-la a pessoa precisa abrir mão de vários valores importantes, pois, fará viagens frequentes, terá pouco tempo para dedicar aos amigos e à família, terá pouco tempo para lazer e, talvez até tenha que morar em outro país se a empresa achar que isto é necessário. E mesmo com todos estes sacrifícios, "a empresa, por sua vez, não terá dúvidas em dispensá-lo caso não atue da maneira desejada." (Casara, 2001, p.57).

Krishnamurti diria para este(a) jovem:

"Enquanto o sucesso for o nosso alvo, não nos livraremos do temor, porque o desejo de bom êxito gera inevitavelmente o medo de insucesso." (Krishnamurti, 1989, p. 42).

Para ajudar este(a) jovem a refletir sobre o assunto contaremos uma pequena história:

"Certo dia, Alexandre, o Grande, foi fazer uma visita à Diógenes, de quem era fã. No final da visita, Diógenes perguntou a Alexandre quais eram seus planos para o futuro. Alexandre respondeu que pretendia conquistar e subjugar a Grécia. 'E depois disso?', indagou Diógenes. Alexandre respondeu que depois disso pretendia conquistar e subjugar a Ásia Menor. E depois disso? Pretendia conquistar e subjugar o mundo.

Diógenes, que não conseguia desviar-se de uma linha de pensamento, voltou a fazer a mesma pergunta: 'E depois disso?' Alexandre disse que depois de conquistar e subjugar o mundo pretendia descansar e se divertir. Diógenes respondeu: 'Por que você não se poupa esse trabalho todo e começa a descansar e curtir a vida agora mesmo?' Alexandre não entendeu a mensagem." (Muoio, 1999)

N.I.F., 22 anos: "Quero casar, ter filhos e uma vida tranquila, com qualidade."

Este(a) jovem prioriza os seres humanos na sua escala de valores. Será um(a) ótimo(a) administrador(a), pois, "as árvores mais altas têm as raízes mais profundas." (Shinyashiki, 1995, p. 87). E como "Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado." (Shinyashiki, 1995, p. 89) podemos dizer que já há meio caminho andado.

T.Y.L., 21 anos: "Não quero salvar o mundo, mas espero contribuir para melhorar nossa sociedade e acho que a administração pública é um bom caminho."

Nesta resposta transparece um dos mais belos sentimentos do ser humano: o altruísmo. Sua motivação é a mais forte de todas. Mantendo este ideal, mesmo nas piores condições terá forças para seguir adiante, superar todos os obstáculos e ser feliz.

Seu ideal nos lembra que "o trabalho é, ao lado do amor, o caminho para a realização humana." (Shinyashiki, 1995, p. 107).

K.R., 25 anos: "O futuro é um desafio que se vence todos os dias. Meu objetivo é ser feliz, saber equilibrar a vida pessoal com a profissional."

Este(a) jovem acabou citando o principal desejo consciente ou inconsciente de todo ser humano: "ser feliz". No fundo tudo o que fazemos de certo ou de errado visa este objetivo.

Vejamos o que nos diz Tenzin Gyatso sobre a importância de ser feliz:

"De fato, quanto mais coisas vejo no mundo, mais claro fica para mim que, não importa qual seja a nossa situação, sejamos ricos ou pobres, instruídos ou não, qualquer que seja a nossa raça, sexo ou religião, todos desejamos ser felizes e evitar os sofrimentos. Cada uma de nossas ações conscientes e, de certa forma, toda a nossa vida - como escolhemos vivê-la dentro do contexto das limitações que as circunstâncias nos impõem - podem ser vistas como resposta à grande pergunta que desafia a todos: Como posso ser feliz?" (Gyatso, 2000, p. 13).

Assim sendo, ainda que sejamos movidos pela ambição ou pela sede de poder, ainda que nossos desejos causem constrangimentos aos outros seres, no fundo do nosso eu, no mais íntimo do nosso ser, o que cada um de nós deseja é ser feliz.

Aos três últimos recém-formados apresentaríamos um anúncio que não costuma sair nos classificados, mas, que talvez seja o mais importante dos tempos atuais:

"Precisa-se de seres humanos com qualidade para realizações com qualidade.

Precisa-se de seres humanos que não façam suas tarefas por obrigação, mas sim por consciência, por prazer.

Precisa-se de seres humanos que vivam seus casamentos com ternura e amizade.

Precisa-se de seres humanos que sejam pais, e não simples procriadores e mantenedores.

Precisa-se de seres humanos que sejam amigos, e não simplesmente colegas.

Precisa-se de seres humanos que tenham Deus como aliado, e não como um adversário.

Precisa-se de seres humanos que vejam a vida como uma dádiva, e não como um fardo.

Porque são eles que vão construir um mundo digno de viver." (Shinyashiki, 1995, p. 144-145).

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