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Educação

A Educação e os Valores no Século XXI: Educação para a Vida - Uma Abordagem Holística

Capítulo 2 - Como criamos esta Crise na Educação?

Para responder a esta questão vejamos o que diz Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama do Tibet, prêmio Nobel da Paz em 1989:

"Tenho a impressão de que, em geral, os sistemas educacionais modernos negligenciam a discussão de questões éticas. Isso provavelmente não é intencional, mas um subproduto da realidade histórica. Os sistemas educacionais seculares foram desenvolvidos numa época em que as instituições religiosas ainda exerciam grande influência em toda a sociedade. Como os valores éticos e humanos eram então e ainda são vistos como pertencentes à esfera da religião, presumiu-se que esse aspecto da educação infantil seria atendido durante a sua formação religiosa. E isso funcionou bastante bem até a influência da religião começar a declinar. Embora ainda exista, a necessidade não está sendo atendida. Portanto, temos de encontrar outra forma de mostrar às crianças que os valores humanos fundamentais são importantes. E também ajudá-las a desenvolver esses valores." (Gyatso, 2000, p. 197).

Como podemos ver em certo momento da história passou-se a privilegiar demasiadamente o Conhecimento Intelectual em detrimento da Ética e das Virtudes. Passou-se a se preocupar quase que exclusivamente em informar o Cérebro em vez de formar o Coração obtendo como resultado uma Sociedade em que os indivíduos agem com intenções cada vez mais egocêntricas em vez de sociais gerando um mundo caótico cheio de grandes contrastes.

No Brasil, a inversão de valores chegou a tal ponto que a pessoa que opta por ser honesta numa situação em que poderia lesar outra é muitas vezes chamada de "otária" e não raras vezes vemos pessoas, aparentemente corretas, tentarem justificar os atos iníquos de outras alegando que alguém fez pior. Ora, crime é crime não importa se outro fez pior. Ambos prejudicam a Sociedade. Sabemos que o erro de um não justifica o erro do outro.

Para ilustrar a inversão de valores, que vivemos, no Brasil, vejamos algumas palavras do grande escritor Russo, pensador religioso e social, Leon Tolstoi, que ilustram bem o pensamento vigente em sua época e, ainda, bastante atual aqui no Brasil:

"Cada vez que tentava exprimir meu desejo mais íntimo, o de ser moralmente bom, não encontrava mais do que desprezo e zombarias; no entanto, assim que me entregava às más paixões, era louvado e encorajado." (Zweig, 1965, p. 28).

Confirmando as palavras de Tolstói, podemos citar, nos dias de hoje, no Rio de Janeiro, o sucesso das "letras de Funk" que denigrem a imagem da mulher através de refrões do tipo "cachorra", "vou te jogar na cama e te dar muita pressão" e "entra e sai, na porta da frente e na porta de trás" que reforçadas por suas coreografias altamente sugestivas rebaixam a imagem da mulher pondo em questionamento os poucos avanços obtidos pelas feministas ao longo dos últimos anos. Enquanto algumas mulheres pedem proteção contra assédio sexual, milhares de outras mulheres estão respondendo "au au" quando são chamadas de "cachorra".

Os autores dessas letras, como diria Tolstoi, ao se entregarem às suas "más paixões", longe de responderem a processo criminal, são "louvados" pela mídia e "encorajados" pela maioria das adolescentes que aplaudem entusiasticamente, dançam suas coreografias altamente sugestivas e compram seus CDs sustentando suas vidas de inutilidade.

Com raras exceções, a mídia raciocina do seguinte modo: "Bom é o que dá dinheiro. E se o Funk dá dinheiro então ele é bom!" Mas, se formos por esse caminho acabaremos considerando drogas, assaltos, prostituição e sequestros, como coisas boas. Assim sendo, precisamos rever quais são os nossos valores. Precisamos pensar no que esperamos da vida e no que pretendemos oferecer à vida.

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