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Reciclagem: Por que o Lixo acaba virando um Problema?

Quando um animal ou vegetal morre, ele passa por um processo natural de reciclagem, porque apodrece, decompõe-se e seus elementos voltam para o solo ou para a água, tornando-se alimento para outros animais ou plantas. A biodegradação* ocorre graças à ação de fungos e bactérias que se alimentam de matéria orgânica, transformando-a em compostos mais simples, que são devolvidos ao ambiente.

O lixo produzido pelos seres humanos contém muitos produtos industrializados que não se decompõem tão facilmente como os resíduos naturais. Veja só:

Tempo aproximado de Decomposição

Material Tempo
Papel 2 a 4 semanas
Tecido de algodão 1 a 5 meses
Corda 3 a 14 meses
Meia de lã 1 ano
Vara de bambu 1 a 3 anos
Chiclete 5 anos
Estaca de madeira 13 anos
Lata de conserva 100 anos
Lata de alumínio 200 a 500 anos
Plástico até 450 anos
Fralda descartavel Indeterminado
Garrafa de vidro indeterminado
Pneu Indeterminado

Fonte: King County Solid waste Division.
Seattle, Washington - setembro - 1989

Obs.: Este período de decomposição varia bastante, pois os diversos materiais, quando encapsulados debaixo de uma montanha de lixo, podem permanecer intactos durante muitos e muitos anos, inclusive a matéria orgânica. Os arqueólogos do lixo já encontraram, nos Estados Unidos, por exemplo, uma alface que estava encoberta no aterro sanitário havia mais de quatro anos.

Além disso, a maior parte do lixo do planeta acaba sendo irresponsavelmente lançada nos lixões (depósitos a céu aberto, oficiais ou clandestinos) ou jogada nos cursos d'água, para que desapareça do alcance de nossas vistas o mais rápido possível. Ninguém quer ter lixo ao seu redor, mas, sem destino adequado, os resíduos sólidos causam problemas ambientais catastróficos.

Chorume

O mau cheiro característico da decomposição deve-se à produção de gases e à formação de um líquido escuro, o chorume, que ao se infiltrar, polui o solo e a água subterrânea. Com isso, as fontes de água potável também acabam ficando poluídas.

Chorume: Líquido escuro, malcheiroso, constituído de ácidos orgânicos, produto da ação enzimática dos microorganismos, de substâncias solubilizadas* através das águas da chuva, que incidem sobre a massa de lixo e, ainda, de substâncias formadas a partir de reações químicas que ocorrem entre os constituintes dos resíduos. O chorume tem composição e quantidades variáveis.

O lixo jogado por aí gera sérios transtornos à saúde pública. Atrai animais, como insetos e roedores, que podem transmitir doenças graves. Este é o caso da leptospirose (cujo transmissor é o rato), da dengue (transmitida pelo mosquito Aedes aegypti), da malária, da leishmaniose e da cólera, entre outras.

Doenças transmitidas pelos animais que vivem no lixo:
Animais Modo de Transmissão Doenças/Sintomas
Rato Mordida, pulga e urina Tifo, peste e leptospirose
Mosca doméstica e varejeira Contaminação dos alimentos através das patas e do corpo Febre tifóide
Verminose e gastroenterite
Barata e formiga Contaminação dos alimentos através das fezes, das patas e do corpo Febre tifóide, giardiase e outras doenças gastrointestinais
Mosquito Picada da fêmea Dengue, malária, febre amarela, leishmaniose
Escorpião Picada Causa muita dor. Em crianças e idosos pode causar alterações cardíacas, coma e morte
Fonte: Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, 1996.
Lixo nas Ruas

O lixo, quando é jogado nas ruas, nas margens ou mesmo dentro dos canais de drenagem, entope bueiros e galerias, bloqueando o escoamento das águas e causando inundações.

O acúmulo de detritos nas encostas gera depósitos instáveis* que podem provocar deslizamentos* durante o período de chuvas.

Despejado nos manguezais, córregos e rios, o lixo, com certeza chegará ao mar, causando danos ecológicos irreversíveis durante todo o trajeto.

Poluição das Águas

A disposição de lixo nos oceanos já foi prática adotada por grandes cidades costeiras e, hoje, está em desuso devido à crescente preocupação universal com a poluição dos mares. Além de causar problemas à navegação e à maricultura*, os detritos prejudicam a fauna* e flora* submarinas. Os sacos plásticos podem causar a morte dos animais marinhos, que são estrangulados ou sufocados ao engolirem essas embalagens. As tartarugas marinhas, por exemplo, os confundem com as águas vivas, seu alimento preferido, e os golfinhos comem os sacos plásticos por confundi-los com as lulas. O isopor também é uma grave ameaça: ao boiar nos oceanos e partir-se em pequenos pedaços, torna-se parecido com o alimento de diversos animais.

É bastante comum verificar que muitas pessoas, Lixo nas Estradas mesmo estando preocupadas com o acúmulo de resíduos na orla marítima, recolhem o lixo que levam para as praias, mas jogam-no à beira das estradas ou restingas. Onde não existe sistema de coleta, o lixo acumula-se.

Os incômodos causados pelo lixo muitas vezes estimulam as pessoas a usarem o fogo como forma de acabar com o problema. Queima de Lixo A queima do lixo resulta em várias consequências desastrosas, pois libera gases venenosos na atmosfera, traz danos à saúde e aborrecimentos à vizinhança. Pode ainda provocar incêndios difíceis de controlar.

O ser humano também está jogando lixo no espaço sideral. Satélites abandonados e ouros objetos artificiais estão girando na órbita terrestre, provocando colisões e transformando o céu em um espaço perigoso.

O nosso planeta, hoje com uma população de cerca de 6 bilhões de pessoas, já produz por volta de 30 bilhões de toneladas de lixo por ano. O padrão norte-americano tão idealizado por muitos já se sabe que será insustentável para uma população prevista de mais de 7 bilhões de pessoas, para o início do próximo século. Pois, se esse padrão de consumo for adotado serão necessários outros cinco planetas para servirem de depósito para todo o lixo descartado.

Fonte: Considerando mais o Lixo.
Grupo do Lixo. Florianópolis: Insular, 1999.

http://kunlaboro.pro.br/livros/considerando-mais-o-lixo/por-que-o-lixo-acaba-virando-um-problema