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Reciclagem: Caminhos percorridos pelo Lixo

A Produção

O lixo domiciliar que produzimos todos os dias no nosso país tem aproximadamente a seguinte composição em peso:

os lixos precisam ser identificados
50%orgânico
30%recicláveis
20%rejeitos

Estima-se que cada brasileiro produz de meio a um quilo de lixo por dia. Mas a quantidade e a qualidade de lixo produzidos pelos habitantes de uma cidade variam de acordo com diversos fatores culturais e econômicos:

Nível de renda familiar: maior poder aquisitivo, por exemplo, se traduz em maior consumo e maior ocorrência de embalagens;

Grau de industrialização dos alimentos: implica em maior quantidade de embalagens e menor volume de resíduos orgânicos;

Hábitos da população: aquisição de bebidas em vasilhames sem retorno, maior descarte de embalagens em período de grandes festas, compras nas feiras livres, consumo de determinados produtos em função de fatores sazonais* etc.

Nível de consciência das pessoas com relação ao destino do seu lixo.

o lixo sendo coletado

A tarefa de limpeza urbana é de competência do poder público municipal, por ser um serviço de saneamento básico e de saúde pública de interesse predominantemente local. Compreende: a coleta de lixo, a capinação, a varrição de ruas e a destinação final dos resíduos sólidos.

No país atualmente, o serviço de limpeza urbana é prestado por órgãos da administração direta ou indireta dos governos municipais ou por empresas privadas contratadas pelas prefeituras.

Algumas vezes, as concessões que o poder público faz à iniciativa privada (terceirizações) podem ser conflituosas, tendo em vista que a lógica que move as empresas, via de regra, não as motiva a investirem na capacitação de seus funcionários ou na implementação de programas de educação ambiental, condizentes com a relevância social do serviço de limpeza urbana e com o nível de comprometimento e consciência que ele requer.

A Coleta

A maior parte dos resíduos produzidos nas cidades brasileiras é recolhida pelo sistema de coleta comum ou convencional, assim chamada pela força do uso.

Este tipo de coleta obedece a um roteiro regular para recolhimento do lixo nos domícilios*, seguindo dias e horários preestabelecidos. Os veículos coletores são caminhões com carrocerias compactadoras, que possibilitam a distribuição e a compressão de resíduos em seu interior.

Além da coleta convencional realizada pelo serviço de limpeza pública, milhares de pessoas tiram seu sustento da coleta de materiais recicláveis das ruas, tanto nas regiões metropolitanas do Brasil como em outros países em desenvolvimento.

Antigamente os sucateiros* ou garrafeiros faziam seu pregão de porta em porta, comprando ferro, vidro e papel, que revendiam às indústrias recicladoras. O crescimento desordenado das cidades fez sugir a figura do catador, que retira das ruas, separa, classifica e vende estes mesmos materiais. A administração pública deve incentivar e orientar a formação das cooperativas dos catadores de rua, para que estes consigam negociar maiores volumes de recicláveis, elevando seus rendimentos e atendendo aos princípios ambientais e sanitários.

os catadores de rua

A presença dos catadores nos lixões também é uma realidade. Famílias inteiras encontram na garimpagem em depósitos a céu aberto importante estratégia de sobrevivência. Calcula-se que, no Brasil, cerca de 100.000 crianças e adolescentes vivem próximos aos lixões e sobrevivem neles. O fechamento dos lixões cria impasse, pois estas comunidades, que vêm sobrevivendo há algumas gerações dessa atividade, não têm como encontrar, de repente, outra alternativa para garantir seu sustento.

A catação nos lixões, assim como a catação na rua, acaba se constituindo em uma opção de vida para muitos brasileiros, decorrente da situação social e econômica do país.

Fonte: Considerando mais o Lixo.
Grupo do Lixo. Florianópolis: Insular, 1999.

http://kunlaboro.pro.br/livros/considerando-mais-o-lixo/caminhos-percorridos-pelo-lixo