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Esperanto

Línguas Internacionais e Direitos Humanos Internacionais

Parte 2 - Aos interesses de quem as línguas internacionais servem?

O que ocorre durante minha vida é a americanização do mundo.
(George Bernard Shaw, nascido em 1856, escreve em 1912)

O governo britânico tem clara consciência das vantagens políticas3 advindas do papel privilegiado do inglês e do impacto econômico disto4. A mídia aplaude no mesmo espírito5. Há uma constante torrente de livros sobre diversos aspectos do inglês como língua mundial, nem todos ingenuamente celebradores.6

Uma publicação recente, encomendada pelo British Council, sobre o futuro do inglês (Graddol 1997) constitui uma análise sugestiva, multidimensional, que aborda o papel de diversos fatores, econômicos, tecnológicos e políticos que talvez futuramente façam sobressair outras línguas como línguas internacionais dominantes.

A situação presente é de uma certa "macdonaldização", de uma assimetria estrutural devido ao poder econômico, simbolizado pelo fato de que 80% dos filmes em cartaz na Europa Ocidental provêm da Califórnia, enquanto 2% dos filmes em cartaz na América do Norte são de origem europeia. A macdonaldização pode ser entendida como a criação de consumidores, serviços e fornecedores globais; é o comércio diuturno agressivo; o fluxo de informação controlada que não chama a atenção das pessoas para os efeitos de longo prazo de um modo de vida ecologicamente destrutivo; a concorrência desleal com os produtores locais de cultura; a obstrução das iniciativas locais; tudo isso converge para uma redução do espaço cultural local (Hamelink 1994). Várias medidas foram tomadas no sentido de se resistir a esta influência no âmbito da União Europeia e em escala nacional, sobretudo na França, sendo o objetivo proteger a diversidade cultural e linguística: esta é uma área em que estão sendo investigadas as relações de fatores econômicos, cultura e política linguística, mas uma maior elaboração faz-se necessária (Grin e Hennis-Pierre 1997).

As pressões da globalização comercial e midiática condizem com o trabalho dos educadores que visam a uma "educação global". São estudiosos que prevêem um programa de ensino fundamental mundial juntamente com um sistema de avaliação mundial e providências mundiais para assegurar a qualidade de educação e formação.7 O programa de ensino fundamental proposto denomina sete campos de aprendizagem chaves, dos quais um é a "língua mundial", obrigatória para todos, isto é, o inglês; o segundo campo diz respeito a outras línguas que devem ser aprendidas pelos infortunados cuja língua nativa não seja o inglês.8

Robert Phillipson - Traduzido por Reinaldo Ferreira
Fonte: UEA - Universala Esperanto-Asocio

Notas

3) Malcom Rifkind, quando ministro britânico para assuntos estrangeiros, disse: A Grã-Bretanha é uma potência mundial com interesses mundiais graças à Commonwealth, às relações transatlânticas [com os estados Unidos] e ao uso crescente da língua inglesa (matéria em The Observer, 1995.09.24).

4) O projeto English 2000 , do British Council, lançado em 1995, declara em seu prospecto que o objetivo é explorar o papel do inglês, a fim de promover os interesses britânicos como um aspecto da manutenção e da expansão do papel do inglês como a língua mundial no próximo século... Falar o inglês torna as pessoas abertas às conquistas culturais da Grã-Bretanha, a seus valores sociais e a seus propósitos comerciais.

5) The Sunday Times , 1994.07.10: O caminho de salvação da língua francesa é que se ensine o mais eficazmente possível o inglês como a segunda língua em todas as escolas francesas... Apenas quando os franceses reconhecerem o domínio do anglo-americano como a língua universal em um mundo que se encolhe, eles poderão efetivamente defender sua própria cultura única... A Grã-Bretanha deve dar prosseguimento à difusão do inglês e dos valores britânicos que estão por trás dela.

6) A recente invasão de obras sobre a globalização e sobre o inglês pode ser classificada superficialmente como:

7) Eis os pontos principais de uma palestra dada pelo presidente da British Association for International and Comparative Education (Associação Britânica de Educação Internacional e Comparada), sir Christopher Ball, durante a Terceira Conferência de Oxford sobre Educação e Desenvolvimento, 1995.

8) Os campos de aprendizagem são:

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