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Esperanto

Brilhem todas as Línguas com Direitos Iguais! Por uma comunicação multilinguística e com direitos iguais na Europa.

Título Original: Brilu ĉiu Lingvo Samrajte!
Subtítulo: Por Multilingveco kaj Egalrajta Komunikado en Eŭropo.
Autor: Gados László - Budapeste, 2001.
Editora: Humana Eŭropa Asocio - PLU. Gráfica: Gura Zalaegerszeg.

Tradução do Esperanto para o Português com permissão do autor:
Carlos Alberto G. Silva. RJ, 27 de maio de 2006.

Prefácio do Autor para Edição em Esperanto

O texto desta brochura luta pelos interesses dos povos europeus considerando os objetivos do processo de integração européia e os resultados específicos da Globalização. Nós bem sabemos que a Língua Internacional Esperanto poderia ser um instrumento natural de ajuda aos povos europeus na manutenção e avanço de seus interesses. De fato servir aos interesses dos povos é o destino do Esperanto. Entretanto, não é suficiente que somente os esperantistas estejam convencidos disto. É necessário esclarecer isto para as diversas partes, classes sociais da sociedade européia.

Esta brochura foi escrita com este objetivo por ocasião do Ano Europeu das Línguas. Ela é a base para traduções em línguas nacionais. Portanto, trata a respeito da ação coletiva dos esperantistas europeus. Assim, aqui o autor também exprime sua alegria e seus sinceros agradecimentos a todas as pessoas e organizações que de alguma maneira participaram, participam ou no futuro participarão nesta ação coletiva ajudando deste modo o sucesso do Esperanto.

Budapeste, 21 de abril de 2001.
László Gados

2001 é o Ano Europeu das Línguas, conforme o manifesto das principais instâncias da União Européia. Neste caderno, as opiniões manifestadas não são as das instâncias Estatais ou da União Européia e sim as dos cidadãos europeus - tanto da União Européia quanto de fora dela - os quais consideram que por se tratar politicamente da Europa dos Cidadãos é importante que os mesmos exprimam suas opiniões a respeito das questões linguísticas. O caderno mostrará e esclarecerá as possibilidades de suavizar os problemas de hoje e, principalmente, prevenir os problemas de amanhã.

Este caderno aparece em diversas línguas européias ao mesmo tempo graças à colaboração de cidadãos de diferentes línguas maternas.

"A" Língua é a Língua Materna

Pode ser um pouco constrangedor propor perguntas ao leitor logo no início, porém, alguma reflexão para respondê-las certamente poderá demonstrar-se útil.

O que você pensa a respeito de sua língua materna?
Ela tem importância para você em sua vida?
Se sim, por que motivo ela é importante para você?

Linguistas e poetas, embora de diferentes modos, frequentemente, escrevem sobre o papel social da língua materna. Eis como um proeminente linguista húngaro apresenta a importância e o papel da língua materna:

"A" língua para cada um é a própria língua materna, mediante a qual a microssociedade ao seu redor, o eleva do estado de ser humano nascido biologicamente ao estado de ser humano socializado e psiquicamente caracterizado; - como? - fazendo-o conhecer sua própria concepção de mundo e as maneiras de ver e perceber que se formaram ao longo da história; - com que objetivo? - para torná-lo capaz de adquirir conhecimentos, primeiramente, de sua comunidade específica, depois, da vasta quantidade de falantes da mesma língua; e para capacitá-lo a enriquecer o conhecimento de seu meio através de seus próprios conhecimentos.

Deste modo, a língua materna é a serva direta e sem intermediários da percepção e reflexo da realidade tanto para um indivíduo quanto para a microssociedade que a herda, a usa e a enriquece. Dessa maneira tanto para um indivíduo quanto para a comunidade ela igualmente significa identidade.

Portanto, a língua como instrumento e o uso da língua como ação estão basicamente e profundamente determinados pela sociedade. Por esse motivo devemos conhecer em tal grau e modo seus recursos e regras para que possamos compreender e apropriarmo-nos do melhor modo possível dos conhecimentos existentes e enriquecê-los com os nossos. Portanto, absolutamente, não é indiferente, se sim ou não, se um pouco ou se bem nos compreendemos uns aos outros, se nossa produção linguística mostra-se um mero sinal da necessidade de nos exprimirmos ou um modo de informar e influenciar outros [1].

A descrição linguística acima, concisamente, nos informa a respeito do papel social da língua materna e da sua importância para um indivíduo; mas também nos chama a atenção para nosso dever em relação a ela: preservá-la incessantemente, porque se a língua materna se empobrece, se empobrecem também as possibilidades da comunidade linguística e de seus membros.

A língua materna de cada povo de algum modo contém e guarda relações com a história da comunidade linguística. Eis um exemplo que ilustra isto:

Certamente compreendemos a frase: Somente uma vez a feira de cães foi em Buda! - se nós soubermos que Buda é parte da cidade de Budapeste e que nesta frase trata-se da fortaleza existente nessa parte da cidade e que foi a morada dos reis húngaros. Mas, para a maioria dos húngaros esta frase significa um pouco mais que o seu significado literal. A saber: Um egoísta colheu (e colhe) um fiasco. De onde provém este significado? Entre os anos 1458 e 1490 reinou na Hungria o rei Matias que era considerado e foi, finalmente, apelidado de Justo. Segundo as anedotas e fábulas populares, ele protegia os pobres dos ricos egoístas. Frequentemente ele, disfarçado, vagava pelo país para verificar sua situação. Uma vez ele, como nômade, aconselhou um pobre que fora ludibriado por um rico, a comprar muitos cachorros e ir com eles a Buda, onde haveria uma feira de cães. O pobre assim o fez. Quando ele alcançou o palácio real, o rei ordenou aos cortesãos que comprassem cachorros pagando em valiosas moedas de ouro. Depois, ordenou ao pobre que após a sua volta para casa ele contasse ao rico que o havia enganado como ele havia adquirido tantas moedas de ouro. Ouvindo a história, o rico vendeu todos os seus bens e comprou muitos e muitos cães, com os quais foi a Buda. Mas os guardas o enxotaram dizendo: Somente uma vez a feira de cães foi em Buda!

Agora você conhece também o sentido figurado desta frase. O conto foi transmitido de geração em geração através da tradição oral. Depois, os escritores o recontaram e usaram-no, também, em livros didáticos. Assim, junto com o conto permaneceu conhecido como uma herança linguística o sentido figurado da frase que contém a lição moral dele. Pode-se supor que em toda língua ocorre o fenomeno de que ao sentido figurado de algumas expressões e palavras adere-se um sentido literal. Mas nós devemos ver também que quando o motivo original semelhante em um relato deixa de ser transmitido se empobrece a própria herança linguística. Talvez, o sentido figurado da expressão ou palavra permaneça vivendo algum tempo, depois ele também cairá em desuso. Do ponto de vista do zelo e conservação da herança cultural absolutamente não é indiferente, o que com propriedade as crianças ao longo de sua educação, ouvem, lêem ou vêem.

Todas as línguas maternas são iguais

No mundo existe uma infinidade de línguas. A Europa também tem várias dezenas de línguas. Cada língua em sua função de língua materna é importante e útil para sua comunidade linguística. As línguas, como línguas maternas, desempenham um papel semelhante; por conseguinte, as línguas possuem direitos e valores iguais, independente da comunidade linguística delas ser grande ou pequena. Os membros cada comunidade linguística têm direito a sua língua materna, possuem o direito de prosperar usando sua língua materna. Naturalmente, as línguas diferem mais ou menos umas das outras na estrutura e nos recursos para exprimir o mundo material, mental e espiritual. O caráter da própria língua materna é natural para cada um e as outras línguas parecem mais ou menos estranhas, inusitadas, efetivamente: estrangeiras. A partir disto, somente pessoas carentes de objetividade podem concluir, que sua língua é mais importante do que as outras.

Os grupos humanos de diferentes línguas desde a antiguidade mais remota entravam em contato uns aos outros. Naturalmente, sempre era necessário, que entre esses grupos ocorresse uma comunicação linguística com auxílio dos indivíduos que conheciam as línguas dos grupos contatados. Durante os últimos séculos da história da humanidade surgiram e desenvolveram-se processos nos quais o conhecimento de línguas estrangeiras tornou-se necessário para mais e mais pessoas. Pensemos, por um lado, a respeito da evolução técnica na área dos transportes (navio a vapor, estrada de ferro, automóveis, aviões) e nos meios de telecomunicação os quais muito facilitam os contatos pessoais e espirituais entre pessoas que estão distantes umas das outras. Além disto, pensemos na difusão da ciência e na expansão do comércio e do mercado, assim como e não em último lugar com o auxílio das armas através da colonização.

Um fato provado e experimentado muitas vezes é que uma comunidade linguística determinada, em outras palavras seu estado, a respeito de algo (ciências, economia, diplomacia, exército) tornando-se mais forte, mais eficaz do que a dos outros usa sua força contra as outras comunidades e, dentro deste processo, ela divulga também sua língua. Em várias línguas existem expressões e modos de dizer sugerindo que o poder favorece a língua e a língua favorece o poder. Isto significa que a difusão de uma língua como língua estrangeira ajuda a manter e fortalecer o poder. Quando uma língua étnica se torna mais vastamente usada e fica na moda, não significa que ela tenha melhores qualidades ou eficiência do que as outras línguas, e sim de um maior poder daquela etnia (estado) que tem essa língua como língua materna. Realmente, se trata de diferenças de poder entre grupos humanos e não de diferenças de eficiência entre as línguas. É também um fato que uma língua muito difundida como língua estrangeira, influencia o uso da língua materna dos falantes das outras línguas e, por conseguinte, essas línguas sofrem mais ou menos graves prejuízos. Esta influência, como acima constatada, enfraquece o papel da língua materna das línguas afetadas, e por conseguinte as possibilidades de suas comunidades linguísticas.

Nós podemos constatar que cresce suficientemente rápido a necessidade de que cada vez mais pessoas sejam capazes de compreender e serem compreendidos por pessoas de outras línguas maternas, porém, quanto mais uma língua nacional se torna usada internacionalmente tanto mais ela se torna uma grave ameaça para as outras línguas porque ela, entre outras coisas, diminui o funcionamento delas no papel de língua pátria.

Existe algum meio ou método para evitar tal consequência? Examinemos, então, concentrando-nos tão somente no processo de integração européia quais respostas são aplicáveis. As questões tratadas até agora nos permitem concluir que se deve examinar a situação da língua materna em relação ao aprendizado e uso de línguas estrangeiras.

Entretanto é preciso comunicar-se além das fronteiras.

O Tratado de Maastricht da União Européia abriu um vasto leque de possibilidades para os cidadãos dos países membros. Os direitos dos que possuem cidadania da União Européia lhes possibilitam viajar, trabalhar, viver, morar em qualquer lugar dentro da União Européia, como se as fronteiras de seu próprio país estendessem-se até as fronteiras da União Européia. Mas, para usufruir de fato destes direitos é preciso, que seja capaz de uma intercomunicação linguística eficiente em qualquer lugar da União Européia. Os diversos documentos das principais instâncias das União Européia enfatizam a importância do aprendizado de línguas estrangeiras. No entanto, como não é possível dominar todas as línguas, esta necessidade de se intercomunicar eficientemente só seria satisfeita se os homens tivessem além da língua materna uma mesma língua comum.

Nos documentos se pode encontrar alguma conclusão lógica a respeito da necessidade de uma língua comum européia? Não, não se encontra nada dessa natureza. Neles se insiste no aprendizado de pelo menos duas línguas estrangeiras, não especificando quais. Entretanto, em diversos programas lançados através da Comissão Européia como, por exemplo, no programa Sócrates, promete-se um amparo especial para aqueles que queiram aprender a língua de um país vizinho ou uma língua menos usada. Mas, observemos as estatísticas para ver a realidade! De fato, a maioria dos alunos e estudantes estudam o inglês como língua estrangeira e a proporção desses alunos cresce mais. Já surge a pergunta sobre para onde conduz tal processo e quais serão suas consequências para as outras línguas em seus papéis de língua materna.

Portanto, as instâncias da União Européia até agora não decidiram a respeito de uma língua comum européia, porém, aparentemente, já está decidindo a vida, se considerarmos a penetração do inglês. Mas, esta penetração para tornar-se uma língua comum, absolutamente, não resulta do interesse dos cidadãos da União Européia.

A época atual é caracterizada pela chamada Globalização. Diversas empresas multinacionais ampliaram mais sua ação através do mundo. Para elas, num mundo multilingue, não é vantajoso usar muitas línguas na organização das atividades e, por isto, elas pouco a pouco reduziram as línguas usadas e, atualmente, usam quase que somente o inglês. Assim, para ser contratado por uma multinacional se deve aprender e usar o inglês. As companhias multinacionais chegam a se interessar pela eficiência do inglês em relação as outras línguas? O pôr em risco as demais línguas aparece para elas como algo digno de ser tratado? Não, absolutamente não. Elas estão interessadas somente na ampliação do mercado e na elevação de seus lucros. Elas seguem seus interesses. Para elas seria vantajoso se o mundo tivesse apenas uma cor e uma língua. Os interesses desses povos que querem preservar suas línguas e suas heranças culturais são uma coisa distinta. Elas não têm o direito de perseguir seus próprios interesses?

Um processo similar a este ocorre na esfera do comércio, no mundo científico e, também, em diversas organizações internacionais: torna-se usado somente o inglês. Muitos cientistas de outras línguas sofrem por causa disto e somente poucos conseguem resistir [2].

É conhecido que a difusão do inglês após a segunda guerra mundial está relacionada com a mudança das relações de poder e com o poder econômico e militar dos Estados Unidos. Quanto mais se difunde o inglês, menos os anglófonos se inclinam a aprender e usar uma língua estrangeira e, também, por este tipo de postura obrigam os outros a aprender e usar o inglês. No que concerne à difusão e ampliação do uso do inglês em reuniões internacionais, há o fato de que para o estabelecimento de contatos as chances são maiores através de uma língua comum e, também, que nestas condições diminuem os custos de intercomunicação para os organizadores.

As comunidades linguísticas de outras línguas sofrem prejuízos somente porque sua própria língua se deteriorou um pouco? Não. Não somente por isto. A União Européia concorre economicamente com a América do Norte e com o Japão. Se na Europa as decisões e os documentos sociais, econômicos ou políticos importantes e outros forem publicados primeiro em inglês (e, possivelmente, somente nele) então na América do Norte a maioria dos moradores terá a possibilidade linguística de logo se informar imediatamente, enquanto que na Europa a maioria dos moradores somente mais tarde (ou nunca) terá a possibilidade linguística de se informar. Um cidadão europeu que não tenha o inglês como língua nativa precisa pagar toda vez que quer se informar: ou pelo aprendizado da língua ou pela tradução. Naturalmente, a questão seria mais vantajosa e mais justa para os europeus se fosse usada uma língua que não fosse língua materna de nenhum país e ao mesmo tempo fosse adquirível a um custo mais baixo. Nesse caso, compreensivelmente, os anglófonos também deveriam aprendê-la.

De início, minhas frases acima podem causar a impressão de que houve algum tipo de incompreensão relacionada à idéia de uma língua que não seja língua pátria de nenhum país. Não se trata de nenhum tipo de incompreensão e isto, em breve, será esclarecido. Mas, antes disto será útil olhar do começo ao fim algumas questões sobre o aprendizado de línguas estrangeiras.

Nem todos conseguem aprender bem uma língua estrangeira

No que diz respeito à União Européia quando se trata do aprendizado de línguas estrangeiras, seria necessário precisar mais os objetivos, possibilidades, tarefas, responsabilidades do que até agora foi feito pelas instâncias da União Européia. Do quê se trata realmente?

Mais anteriormente, tratamos da necessidade de uma língua comum tomando em consideração os direitos dos cidadãos da União Européia. Mas, a necessidade de uma língua comum é também uma forte consequência das necessidades econômicas. Se a União Européia deseja de verdade ser um concorrente bem sucedido no mercado mundial então, nesse caso, não será suficiente a mera possibilidade de uma livre mobilidade da força de trabalho, nem será suficiente simplesmente dizer a elas aprendam línguas estrangeiras, deixando o cuidado a respeito das condições e a direção para os governos dos estados-membros. (Tudo relacionado aos programas da Comissão Européia ocorridos até agora foram essencialmente sem sentido, e eles de fato serviram, principalmente, quiçá involuntariamente, para o aprendizado do inglês [3]) Pela consequente reflexão dever-se-ia chegar à conclusão de que: para fortalecer a capacidade de concorrência da União Européia seria necessária uma língua comum.

Parece totalmente evidente, que aos fatores da capacidade competitiva pertencem não somente uma ordem e uma regulação jurídicas uniformes, uma moeda comum, o livre movimento de capital, mercadorias, serviços e força de trabalho, mas também a posse de uma língua comum. Isso parece provar-se também pela difusão constante do inglês. Mas, se as principais instâncias da União Européia efetivamente acharem importante a igualdade de direitos dos estados-membros e suas línguas, as quais verdadeiramente são muito importantes do ponto de vista da firmeza da integração, nesse caso elas deveriam recusar essas eventualidade de que uma língua nacional (étnica) se torne uma língua comum; Essas instâncias deveriam iniciar a busca de uma solução mais adequada.

É evidente, também, por diversos motivos que sem uma língua comum sempre será necessário o aprendizado de mais línguas estrangeiras. Enquanto o aprendizado de uma língua comum deve resultar das necessidades e interesses gerais da comunidade, o aprendizado de outras línguas junto a tais circunstâncias é motivado pelas necessidades e interesses parciais. Disto resulta que as instâncias principais deveriam tomar decisões forçosas a respeito das exigências e das condições relativas a uma língua comum ao passo que o campo de ação a respeito das outras línguas permaneceria junto aos estados-membros. Mas, contra o avanço nesta direção levanta-se um obstáculo tenaz: as pessoas que detém o poder consideram somente as línguas nacionais quando tratam da questão linguística. Assim sendo, eles caem numa armadilha. Não obstante os processos e tarefas atuais (aprofundar a integração, ampliar a União Européia etc.) se faz urgente a consideração da questão linguística, entretanto as decisões tardam, porquê a maior parte dos políticos acha a situação delicada demais [4]. Pode-se supor o verdadeiro motivo: as principais instâncias da União Européia temem declarar publicamente que por causa da grande difusão - estejam apoiando e favorecendo o inglês, porquê isso seria contra o princípio e a postura fixada em documentos básicos sobre a igualdade das línguas; e seria um passo perigoso anular este princípio. Se pode comprovar que durante o adiamento, frequentemente, as instâncias mais e mais preferem, como se não fossem notadas, o inglês as outras línguas. Então, não é pouco frequente ver uma hipocrisia quando as instâncias principais da União Européia mencionam a igualdade de direitos das línguas [5]. Os políticos poderiam sair da armadilha acima se eles estivessem sinceramente dispostos a examinar sem preconceitos a aplicação de uma língua não étnica, isto é uma língua planejada, para o papel de língua comum reparando que na prática ela seria neutra porquê sua utilização no papel de língua pátria não poria em risco nenhuma língua materna.

Existe um ponto de vista adicional que devemos considerar quando falamos a respeito da necessidade geral do conhecimento de línguas estrangeiras. Porque junto com a decisão sobre os objetivos e exigências não temos o direito de negligenciar a consideração sobre as condições de aprendizagem bem sucedida de línguas. O autor de um artigo que apareceu numa revista especializada [6], tocou estas condições, ao responder uma pergunta frequente, se existe um sentimento linguístico especial. Ele afirmou que de fato não existe, mas para um aprendizado linguístico de sucesso é necessária a reunião de algumas condições. Não se sabe a respeito da ligação entre capacidade intelectual e capacidade de aprender línguas, entretanto é fato que a maioria dos estudantes de línguas estrangeiras somente aprendem a língua escolhida às custas de um nível mais ou menos alto de esforço e suor. De fato não podemos subestimar a dificuldade do aprendizado de línguas. Entretanto, toda pessoa normal é capaz de aprender com um nível suficientemente bom uma ou duas línguas estrangeiras, se houver motivação oportuna, disponibilidade de tempo, perseverança, material de aprendizado e instrutores, resumindo: circunstâncias favoráveis. Sem dúvida, há diferenças entre as pessoas e é indiscutível que também existem pessoas de talento. Portanto, se fixam metas com validez geral para os moradores da União Européia, em tal caso dever-se-ia muito seriamente e sobre uma ampla base examinar as possibilidades da população no que concerne aos fatores mencionados anteriormente. Parece que as decisões postas em marcha pelas principais instâncias da União Européia a respeito desses objetivos, na esfera do aprendizado e instrução de línguas, não se baseiam no resultado de pesquisas em larga escala. Mas, consideram principalmente e, tão somente, as possibilidades de uma elite ou de um belo sonho. Então, seria urgente a tarefa de colocar na ordem do dia junto às principais instâncias das União Européia a questão linguística a fim de preparar uma decisão mais conveniente. E que junto a isto considerem as condições reais e, também, a continuidade linguística da futura ampliação da União Européia.

Do ponto de vista da maioria dos cidadãos da União Européia não é de nenhum modo indiferente o quanto de sacrifício é necessário para adquirir uma boa capacidade de uso de línguas estrangeiras. Esta questão também não deve ser indiferente para os indivíduos, nem para a comunidade e nem, tão pouco, para as instâncias que detém o poder.

Existe uma língua aprendível

Na sequência de pensamento anterior ficou patente que na União Européia por vários motivos seria necessária uma língua comum de tal tipo que não pusesse em perigo as línguas étnicas em seus papéis de língua nacional, além disto seria vantajoso, se ela, como língua estrangeira, pudesse ser aprendida mais facilmente e a um custo mais baixo do que as línguas étnicas. Existe essa língua? Sim, existe, seu nome é Língua Internacional ou Esperanto.

Doutor Zamenhof a elaborou e a publicou após 1887 como uma língua planejada, baseada nas línguas européias. Rapidamente, cresceu o número dos que a aprenderam e a usuram. Em 1905, na França já ocorria o primeiro Congresso Universal de Esperanto. A partir de então, todos os anos, exceto nos anos das duas guerras mundiais, organiza-se um Congresso Universal.

Em 1920, após a 1ª Guerra Mundial, delegados de 11 Estados apresentaram na 1ª Assembléia da Liga das Nações um projeto de resolução sobre a introdução do Esperanto no ensino escolar dos países membros. Por causa da oposição do delegado francês neste ano, a decisão a respeito da proposta não ocorreu. Em 1921, para vivenciar experiências em relação ao Esperanto, Nitobe Inazô, vice-secretário geral da Liga participou do Congresso Universal de Esperanto em Praga. Suas impressões foram muito favoráveis. No mesmo ano delegados de 12 Estados apresentaram de novo uma proposta para o ensino do Esperanto nas escolas. Decidiu-se que o secretário geral da Liga organizasse uma enquete sobre o tema e no ano seguinte informasse o resultado. Em 1992, foi organizada a Conferência Internacional em Gênova sobre o Ensino de Esperanto. Participaram da conferência 16 representantes oficiais de ministérios estatais e especialistas de 28 países diferentes. A resolução e o manifesto [7] da conferência foram muito favoráveis ao Esperanto e, por conseguinte, também, o relatório do Secretário Geral da Liga das Nações para Terceira Assembléia em setembro de 1922 [8]. O governo francês daquela época temendo a concorrência do Esperanto atacou duramente a proposta a favor do Esperanto e, finalmente, conseguiu que a Liga das Nações não adotasse a resolução sobre o ensino do Esperanto nas escolas. Esses e outros argumentos similares, fanáticos e enganadores que foram usados pela delegação francesa e seus auxiliares enraizaram-se na consciência de certos grupos de intelectuais. Assim, ainda hoje podemos ouvir argumentos muito similares contra o Esperanto. A divulgação de argumentos falazes foi favorecida pelo fato de que para os regimes ditadores de diversas cores o Esperanto era considerado perigoso e, portanto, não apreciado e até digno de perseguição [9].

Após a 2ª Guerra Mundial, a Conferência Geral da Unesco aceitou em duas ocasiões (1954 e 1985), resoluções sobre o Esperanto nas quais ela primeiramente: Observa os resultados alcançados pelo Esperanto no campo dos intercâmbios internacionais e da aproximação entre os povos do mundo; (...) Reconhece que esses resultados correspondem aos objetivos e ideais da Unesco; e, após trinta e um anos, reconfirma: Lembrando que o Esperanto neste intervalo de tempo fez um progresso considerável como instrumento de compreensão entre povos e culturas de diferentes países, penetrando na maioria das regiões do mundo e na maioria das atividades humanas. mais Reconhecendo as grandes possibilidades que o Esperanto apresenta para a compreensão internacional e para a comunicação entre povos de diferentes nacionalidades - deste modo a Conferência Geral exprimiu sua opinião favorável ao Esperanto.

Em 10 de setembro de 1993 a assembléia do PEN-Club Internacional reconheceu no Esperanto o caráter de língua literária e aceitou o PEN-Centro de Esperanto como membro de plenos direitos.

Seria um grande erro acreditar que as constatações das organizações internacionais ainda que autênticas sejam diretrizes para certos políticos que estão no poder. Respondendo a aqueles que de alguma maneira propõem o aprendizado e a utilização do Esperanto eles usam, por exemplo, argumentos do tipo:

Antes de colocar os pronunciamentos acima sob uma lupa lembremos que: Unesco é a abreviação de Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura. Repetindo: para educação, ciência e cultura. O PEN-Clube é uma organização internacional de escritores e, assim, ele pode julgar com autoridade a característica cultural dessa ou outra língua. Então, pensemos o quê das afirmações dos políticos mencionados ao compará-las com as opiniões dessas organizações internacionais?

Em 1996, os esperantistas fizeram um congresso, como em 1921, na cidade de Praga e publicaram um manifesto dirigido a todos os governos, organizações internacionais e homens de boa vontade no qual apresentam seus objetivos, convidando todas as organizações e todos os homens a colaborarem (Link: Manifesto de Praga).

Europa: de colonizadora a colônia?

Por que motivo dever-se-ia usar o Esperanto segundo as recomendações acima? Para que ele se torne uma língua materna substituindo as línguas nacionais (étnicas)? Não, absolutamente não. Se começarmos a examinar os pretextos citados, logo será visível, que eles poderiam ser justos somente numa ocasião, se o Esperanto fosse recomendado para ser a língua pátria de alguma comunidade linguística substituindo a língua étnica. As palavras e expressões: riqueza cultural e histórica, tradição cultural, atividades culturais determinadas geograficamente, herança literária, histórica e geográfica e outras são adequadas para caracterizar as línguas que exercem um papel de língua materna e não aquelas destinadas a exercer uma função interétnica. Entretanto, por que motivo as usam no último ponto de visita? Eis a explicação:

Em uma resenha de um livro do famoso filósofo Jacques Derrida escreveram entre outras coisas: O sistema francês de ensino público foi muito oportuno para a política colonial, ele de fato contribuiu para a marginalização das línguas árabe e berbere; este sistema convenceu a todos de modo organizado da inutilidade delas. Nas escolas coloniais da França revolucionária em nome do humanismo universal a língua materna admitida para os estudantes das escolas francesas da Algéria foi o francês e de igual modo no continente francês para as crianças bretonas e provençais. Contudo, não somente a língua de ensino foi naturalmente o francês, como francesas eram as horas de ensino: ali se exigia a geografia e a história da França de modo semelhante ao exigido na própria França como se a Algéria não existisse [14].

Esta atitude caracterizou, naturalmente, não somente a política da França, mas, de um modo geral, a política dos Estados conquistadores. Para esclarecer, o motivo pelo qual era imposta a própria língua aos conquistados eles apresentavam idéias a respeito da grandiosidade de sua língua, de sua riqueza cultural e histórica etc. Dessa maneira, utilizando tais argumentos caracterizavam suas próprias línguas como superiores menoscabando as línguas dos povos conquistados e, assim, tornava-se evidente para eles, tornava-se parte da herança intelectual deles a idéia de que uma língua no papel de instrumento interétnico ou língua internacional deva e possa ser ajuízada somente conforme tais argumentos.

Que aqueles que agora argumentam fanaticamente pelo inglês como língua internacional lembrem a argumentação do delegado francês de outrora junto à União das Nações Unidas, quando ele atacou a proposta em prol do Esperanto no ano de 1921. O delegado, Gabriel Hanotaux, membro da Academia Francesa, ex-ministro de assuntos exteriores e historiador, que em seus escritos glorificou o imperialismo francês, se revoltou colérico contra a recomendação. Sem que os delegados dos outros países tivessem coragem de contradizê-lo, Hanotaux eloquentemente exigia honra para sua língua, o francês, que tinha sua história, sua beleza, que era usada por vários grandes escritores, que era conhecida em todo o mundo, que era um admirável instrumento de divulgação de idéias [15]. No ano seguinte (1922) Léon Bérard, ministro do ensino público escreveu numa circular: A língua francesa será sempre a língua da civilização e ao mesmo tempo o melhor instrumento para divulgar literatura incomparável e servir à expansão do pensamento francês. [16]

A situação atual do francês é vastamente conhecida.

Embora já não existam mais os impérios colonizadores e os tratados internacionais proíbam aos estados a conquista pelo intermédio das armas, sem dúvida, no pensamento ainda se ocultam (talvez de modo inconsciente) tais argumentos e metas de ação em relação às línguas que um dia acompanharam os esforços colonizadores. Causa choque, alguns pronunciamentos atuais serem semelhantes aos citados acima. O mundo internacional até agora não produziu um tratado para proibir o imperialismo linguístico.

É lamentável que a língua nacional dos conquistadores até mesmo nas últimas décadas hajam conduzido a alguma perda de tradição e identidade junto aos conquistados. Entretanto, supor que o uso do Esperanto conduziria a uma consequência similar, é somente uma suposição carente de base; e a causa da afirmação de que o Esperanto é uma língua morta somente pode vir de uma não louvável desinformação ou de um engano intencional.

A respeito de uma cultura e uma língua sem mistificações.

Nos textos políticos citados, a palavra cultura parece ser uma importante palavra-chave. Por causa disto, parece útil tocar rapidamente a pergunta sobre o que é verdadeiramente cultura e de que maneira a língua está relacionada com ela. O conceito de cultura tem várias explicações de diferentes tamanhos. No sentido mais longo (e mais importante) esta noção concerne ao expressar-se da sociedade. Trata daquilo que supera a existência biológica nua e crua do ser humano. Falar de maneira geral a respeito da cultura dessa ou daquela etnia (nação) faz sentido somente segundo uma larga base de interpretação da palavra cultura. As características específicas de uma cultura étnica foram e são formadas pelas condições naturais e interpessoais, circunstâncias, seus efeitos e suas mudanças históricas. As formas externas aparentes da cultura são diferentes, materiais e imateriais. Entretanto, deve-se reconhecer que a essência da cultura esconde-se nos pensamentos, sentimentos, preconceitos, reconhecimentos, aquisição de diversas habilidades, motivações e questões semelhantes como, por exemplo, os evocados nas pessoas como resultados dos meios natural e social. Tal essência manifesta-se na concretude da arte, produção, educação, costume etc. Contudo, esta concretude é especial na língua. À sua especialidade pertence o fato de que mediante ela os homens podem descrever e caracterizar, também, os demais elementos e produtos da cultura e mediante essa descrição comunicar-se entre si. Portanto, a língua é um elemento cultural. Pronunciar junto cultura e língua pode significar tão somente uma ênfase do caráter especial da língua.

Sem dúvida, para o homem, que possui certa língua como sua língua materna, ela não é somente um instrumento de comunicação, porque para ele ela porta consigo informações adicionais, acessíveis, provenientes da história viva inteira da etnia. Todavia, é um fato importante que se possa exprimir um mesmo pensamento em diversas línguas, sobre um mesmo sentimento, um mesmo motivo, uma mesma ação, um mesmo fato. Pode-se informar o mesmo resultado em diversas línguas. Se isto não fosse possível, tampouco seria possível estabelecer contato entre elas e muito menos interpretar, traduzir de uma língua para outra. É evidente, que para começar a conhecer os traços extralinguísticos característicos da cultura (sem sua parte linguística) dessa ou daquela etnia não é sempre necessário conhecer também a língua dessa etnia ainda que seja útil conhecê-la. Muitos fatos provam que o Esperanto do mesmo modo que as línguas nacionais é plenamente capaz de descrever culturas e servir de ponte entre elas. Inclusive, por sua neutralidade, ele pode ajudar na tarefa de defender as línguas maternas.

Indubitável que somente a própria etnia pode preservar sua cultura, inclusive a língua e com a condição de que tenha um motivo suficientemente forte para a preservação. Forças externas podem ou não pôr em perigo uma cultura ou uma língua de alguma etnia, mas não podem desempenhar o papel da conservação que cabe a própria etnia. De que maneira uma força externa causa danos numa cultura ou numa língua étnica? O dano se manifesta essencialmente no fato de que alguns ou muitos dos elementos da cultura de alguma etnia e sua parte linguística são substituídos por elementos culturais (linguísticos) da outra etnia. Este processo pode ocorrer por causa da resultante de diversas forças: da força econômica pacífica a cruel subjugação militar. Toquemos aqui apenas o processo que ocorre segundo a maneira pacífica. As mercadorias e os serviços trazem consigo também os elementos da língua (cultura) do fornecedor. Inicia-se o processo, em que mais ou menos grandes partes desses elementos começam a substituir e completar os elementos da língua usada localmente e da cultura existente, dependendo do grau de resistência do Estado e dos cidadãos afetados. Para defender e conservar a língua é exigência básica que as palavras e expressões estrangeiras sejam o mais rápido possível traduzidas na língua local. Para isto são necessárias um alto grau de consciência e prontidão. Na falta dessas condições, as novas palavras e expressões estrangeiras serão incompreensíveis ou mal compreendidas por muitas pessoas o que é desvantajoso, também, para a comunidade linguística. Quanto mais massiva for a influência estrangeira tanto mais difícil será a defesa contra ela. Acontece que numa influência massiva de uma língua estrangeira (cultura) sobre outra, o respeito por ela, também, se fortalece e isto fortalece a posição da comunidade linguística da língua estrangeira e, também, a difusão permanente desta língua.

Ainda que a língua ameaçante seja a mesma para todos, os esforços para preservar e defender as línguas maternas ocorrem separadamente em cada uma das comunidades linguísticas, independentemente uma das outras. Ocorrendo uma influência massiva, a defesa por meio da divisão não consegue ser suficientemente eficaz. Seria possível uma defesa comum e coordenada das línguas nacionais contra a mesma ameaça? Sim, seria possível se aqueles que consideram importante a defesa e a preservação das línguas maternas quisessem usá-la. Com relação a isto, para uma ação conjunta seria necessário como condição básica pôr em marcha uma língua para, primeiramente, frear a divulgação do inglês sobre aqueles campos que ainda não foram totalmente "ocupados" por ele e, depois estender seu papel de intermediário a outros possíveis campos. Para este papel parece mais adequada a língua internacional Esperanto. Ele não somente não ameaça o papel das línguas maternas, como por sua relativa facilidade tornaria possível uma rápida difusão, caso seu ensino recebesse um apoio oficial dos vários Estados, assim como das instâncias da União Européia. Com efeito, fatos devidamente controlados provam que o nível de saber linguístico que os estudantes de uma língua estrangeira normalmente atingem em cinco anos, podem ser alcançados em apenas um ano com o Esperanto. Por conseguinte, supondo capacidades iguais, durante cinco anos pode-se trazer para o mesmo nível de conhecimento linguístico o quíntuplo de estudantes de Esperanto do que o de estudantes de uma língua étnica. Além disto, o Esperanto também é aprendido com sucesso por autodidatas o que dá uma boa chance para os adultos ocupados ou sobrecarregados aprenderem-no. Compreensivelmente, seriam necessários mais instrutores para instruir a língua internacional, mas também, o treinamento a distância de professores da língua Esperanto necessita, essencialmente, de muito menos tempo do que em outras línguas.

Que futuro você deseja?

Nas páginas anteriores, olhamos do início ao fim a situação linguística atual e os efeitos do inglês sobre as outras línguas sob o ponto de vista do papel de língua materna, assim como no que concerne às necessidades linguísticas da integração européia. Com base em tudo isto chegamos as seguintes conclusões:

Todos para os quais as conclusões acima mostram-se lógicas e justas podem agora perguntar: o que fazer? Esta é a pergunta que várias centenas de milhões de europeus, voluntária ou involuntariamente, com uma posição alta ou não, poderão ou precisarão responder. Aqui nós esboçamos somente um possível resultado imaginado do futuro na forma de um suposto relatório. Eis:

O ano de 2001, por iniciativa da Comissão Européia, foi o Ano Europeu das Línguas. Os programas direcionaram a atenção dos Europeus para a questão das línguas. Até então, somente poucos pensavam no papel e na importância das línguas e, em particular, no papel e importância da línguas maternas. Outra era a situação nas instâncias da União Européia. O regime linguístico que vigorou até 1958, evidenciou-se não mais usável, pois, o número de línguas aumentara abruptamente. Visto que os problemas práticos atacaram de frente os princípios da igualdade das línguas, os políticos se depararam com uma situação linguística excessivamente delicada.

Graças à iniciativa do Ano Europeu das Línguas, os habitantes da União Européia começaram a pensar mais a respeito das línguas e, pouco a pouco, eles conscientizaram-se a respeito do perigo que ameaça as línguas maternas e, portanto, seus próprios interesses. Além disto, ficou claro para eles que na Europa, além das línguas maternas é, verdadeiramente necessária, também, uma língua comum que seja facilmente aprendível. Adquirindo conhecimento sobre o possível papel do Esperanto, os homens sensíveis a sorte das línguas maternas começaram a interessar-se pela causa. Também, mais e mais Esperantistas reconhecem o importante papel da língua materna e a necessidade de defendê-lo. A partir desses homens, em diversos países, logo se formaram grupos de trabalhos, sociedades e outros similares para tratarem da situação, das possibilidades e das tarefas comuns que precisam ser feitas. Logo, eles obtiveram um vasto público e chamaram a atenção dos políticos, órgãos governamentais e outros para o problema linguístico e sobre a necessidade de realizações oficiais. Logo, os grupos de trabalhos e sociedades fundadas em diversos países estabeleceram uma aliança européia para agirem juntos pelos interesses comuns. Como consequência da ação deste movimento civil, os parlamentos e governos de diversos países, no que diz respeito às instâncias que norteiam a União Européia tiveram que examinar a questão linguística européia e, finalmente, decidiram a favor.

Foi fixado como ponto de partida para os moradores da Europa, a sucessão das línguas conforme a seguinte importância:

1. língua materna,
2. língua neutra comum,
3. outras línguas.

No ensino escolar, a língua materna e a língua comum neutra devem ser objeto de ensino obrigatório. Nos países com minorias linguísticas deve ser obrigatória também a língua nacional. Debateu-se, vastamente, a respeito da questão, se a língua nacional seria a segunda conforme a importância, antes da língua comum auxiliar, ou se ela seria a terceira após a língua comum auxiliar. Decidiu-se a favor de diversas soluções em diferentes países. Após a decisão principal da Comissão e dos Governos, eles decidiram, também, a respeito das coisas que precisam ser feitas e começaram a estabelecer as condições necessárias. Após isto, a nova ordem linguística começou a funcionar. Os homens começaram a aprender em massa a língua neutra comum não somente nas escolas mas, também, nos cursos e, também, estudando em casa. A difusão do Esperanto foi suficientemente rápida e então, pouco a pouco, começaram a usá-lo, também, em lugar do inglês. Inclusive, cresceu significativamente o uso desta língua nas relações humanas e nas organizações de diversos tipos de outros continentes.

Finalmente, na Europa, estabeleceu-se a harmonia das línguas: cada língua étnica pode responder ao papel de língua nacional; a língua neutra comum tornou possível uma fácil intercomunicação em toda a Europa e até mesmo fora dela, ao mesmo tempo ela não ameaça nenhuma língua e até pode ajudar o aprendizado de outras línguas [17]; porque já não é sempre necessário aprender o inglês, aprendem-no somente aqueles para os quais ele é verdadeiramente necessário, os outros aprendem outras línguas conforme seus interesses ou necessidades particulares.

Se lhe agrada que a imagem futura seja esta ou uma similar, então reflita sobre como você poderia e deveria colaborar para que isto ocorra. Decida a respeito dos problemas linguísticos ainda hoje porquê a situação européia atual não tolera prorrogações.

Notas do Autor

As Notas do Autor foram colocadas numa outra página para evitar que esta ficasse muito longa.

Outras Dicas de Leitura

http://kunlaboro.pro.br/esperanto/brilhem-todas-as-linguas-com-direitos-iguais